Páginas

Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Medo (filosofia)

As pessoas sentem medo. Isso é inevitável, inescapável, indiscutível. Sentem medo de ir mal na prova, sentem medo de perder o gol na linha, sentem medo de esquecer o nome de um amigo, sentem medo de seus terrores imaginários, sentem medo do escuro, sentem medo de se casar, sentem medo de bater com o carro, sentem medo de morrer. Sentem medo de morrer sozinho. As pessoas sentem medo até mesmo de admitir que estão erradas, de admitir que não são o que dizem ser, entre outras coisas.

Eu passaria a minha vida descrevendo os medos que podemos sentir. E passaria outra vida dizendo para as pessoas que tem medo que combatam seus medos. Não perca meu ponto. Nós devemos SIM combater nossos medos. Mas não estou dizendo que isso é algo fácil, nem algo simples e, às vezes, nem mesmo algo possível. O medo é algo perfeitamente esperável. Perfeitamente aceitável.

Vejo muitas pessoas dizendo: "você deve combater seus medos". "Você deve enfrentá-los, destruí-los, eu tinha meus medos e os superei". Algumas perguntas que caberiam ser feitas: Com base em que você diz que alguém vai superar seus medos só porque você superou? O seu medo é o mesmo tipo de medo daquela pessoa? Mesmo que seja, seria a mesma intensidade? E, acima de tudo, você realmente superou seu medo?

Vencer um medo não é algo fácil. Não é algo banal. É uma tarefa épica. As pessoas hoje colocam como se fosse algo tão simples quanto cruzar a rua, virar a esquina. Um medo é diferente de um receio. Um medo é diferente de um mal pressentimento. Um medo é algo intenso. Um medo é algo que você prefere fugir a ter de encarar, que você sabe que vai te acompanhar boa parte da sua vida (se não ela toda) e que você terá de conviver com ele.

Eu tenho um medo. Acho que os nossos medos nos definem melhor que nossos sonhos e também acho que são pessoais. Não pretendo compartilhá-lo aqui, mas sem sombra de dúvida ele é o tipo de medo que vai me assolar minha vida inteira e, por mais que eu possa esquecê-lo, evitá-lo ou "superá-lo" ele ainda estará lá. Ele não vai me abandonar até o dia que eu morrer e, nesse dia e somente nesse, eu saberei se o venci ou não.

Não quero me estender mais sobre essa problemática. O que eu tenho a dizer é que é normal ter medo. E isso você já sabia. O que você talvez não sabia é que é normal não superar seu medo. Que é normal não salvar a criancinha no prédio em chamas. Que é normal recuar diante de uma decisão muito importante. Nós podemos tentar ser fortes. Nós devemos tentar ser fortes. Mas isso não quer dizer que vamos conseguir. E a falha é uma consequência da chance. É essa falha que o torna humano.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

(in)Justo (filosofia)

Em que consiste a justiça? Ignorando definições mais próximas do direito, como "poder judicial", podemos dizer, talvez com um consetimento geral que "justiça" significa igualdade, retidão. Ou, de um outro modo, equivalência. Mas nenhum desses termos parece definir apropriadamente um termo tão banalizado.

"Ele recebeu o que merecia". "Como ele conseguiu isso?". "O mundo não é um lugar justo". Frases comumente citadas, todas se referindo a justiça, ou a algo semelhante. Alguém poderia argumentar que as definições acima se enquadram em tais situações, mas eu discordo. Justiça não é simplesmente igualdade, não é simplesmente equivalência. Justiça é nobreza, não somente equivalência. Talvez pareça a todos que eu incorro a um erro, pois tão difícil quanto definir justiça deve ser definir nobreza, mas definindo "ato nobre" eu me contentaria simplesmente com "a atitude certa a ser tomada quando todas as outras parecem mais fáceis e tentadoras".

Desse modo, ser justo significa fazer o que é certo. É certo matar alguém porque ele matou outra pessoa? É certo justificar um erro comentendo outro equivalente? É certo prender uma pessoa que roubou porque estava passando fome? É certo punir alguém por tentar sobreviver? Questões morais interessantes. A quem cabe a justiça responder. Ser justo não é simplesmente colocar as ações um lado da balança e ver o que pode equilibrar do outro lado. Justiça não é fazer ao outro o que ele fez a alguém. Isso é estupidez. Ser justo é ser capaz de olhar todas as implicâncias da situação e dar a solução mais nobre, mais correta.

O que é então "a solução mais correta"? Aquela que não somente julga alguém pelo que essa pessoa fez, mas o porquê dela ter feito. Aquela solução que busca se ver nos olhos da pessoa, entendê-la, compreendê-la. Não se pode julgar o que não se entende. No entanto, ainda devemos ser capaz de discernir até que ponto devemos fazer isso. Se colocar no lugar de um psicopata iria claramente justificar o seu instinto assassino. Mas uma pessoa doente que pode prejudicar outras não pode ser mantida livre, imune. Cabe a justiça diferenciar as especificidades de cada caso, e concluir o que é certo.

Talvez muitos dos problemas de hoje venham das injustiças que cometemos ao aplicar a justiça como a conhecemos. Se nossas atitudes forem simplesmente atitudes de igualdade para com os atos dos outros, resumimos um ser humano a atos. Esquecemos tanto dos pensamentos quanto do instinto, causa primária de nossos atos. Vamos compreender os outros. Vamos ser nobres. Vamos ser justos.

sábado, 23 de outubro de 2010

Sobre vacas e carneiros (filosofia)

O homem tem uma maneira curiosa de adquirir conhecimento. Nós supomos, experimentamos, vemos os resultados e dizemos se era falso ou não. Basicamente as etapas do método científico. De todo modo, a parte que mais interessa é o modo como tudo começa. "Supomos".

O homem vê um fenômeno, um problema, algo que precisa ser explicado. O que ele faz? Inventa. Sim, é literalmente isso: nós inventamos uma explicação. Claro, a explicação costuma ser baseada em conhecimentos prévios (o que levanta uma questão: em que foi baseada a primeira explicação? Mas deixemos essa divagação pra depois). Mas, vamos voltar mais um pouco para que possamos entender meu ponto: como o homem faz isso? Bem, eu diria que ele se questiona.

"Como?" "Por que?" "Quando?" "Onde?" "O quê?". A humanidade tem uma grande variedade de perguntas, mas praticamente todas elas podem ser encaixadas nessas cinco perguntas do começo do parágrafo. Qual o problema com isso? Todos e nenhum. Eu demonstrarei que, com essas perguntas, nós teremos sempre um conhecimento infinito a buscar, mas ainda sim limitado ("infinito e limitado?" você deve se perguntar. Fique calmo, vamos devagar).

O ser humano sempre tem mais o que aprender, simplesmente porque tudo que ele descobre para explicar algo, é passível de questionamento. Quando eu digo "passível de questionamento" não quero dizer "duvidoso", mas quero dizer que pode se usar as 5 perguntas para questionar isso. A partir daí teremos que buscar outra explicação. E assim por diante, ad infinitum. Isto é, temos um conhecimento ilimitado para buscar. Onde está a limitação? Imagino que vocês já tenham percebido, mas para deixar tudo bem claro: nas perguntas.

Nossas perguntas refletem são nosso passo-guia, nossa orientação sobre o que buscar. Consequentemente, perguntas limitadas levam a conhecimento limitado. Ou, mais apropriadamente falando, modo de ver o mesmo conhecimento limitado. Nós podemos analisar tudo da melhor maneira que considerarmos, mas estaremos presos a nossas perguntas. Mesmo o fato de eu falar que somos limitados já era previsto na nossa limitação. E o fato de você estar tentando pensar um modo de provar que estou errado também. E o fato de você pensar que deve haver um modo de pensar além dos nossos limites ainda não te tira deles.

Vou esclarecer tudo com uma analogia. Imagine que você está em uma fazenda. Seu objetivo é contar quantos animais tem lá. Entretanto, todos os animais que você vê são carneiros. E toda vez que você conta um carneiro, você percebe que há mais carneiros pra contar, infinitamente. O que você não sabe, é que também há vacas naquele local. Mas, por algum motivo, você é incapaz de ver as vacas e, portanto, de contá-las. Elas escapam ao seu conhecimento de contagem de animais, que se limita a carneiros. Pergunta: você irá parar de contar carneiros? Resposta: não. Pergunta: você irá ver as vacas? Resposta: não. Esta simples analogia demonstra que temos um conhecimento infinito a abarcar, porém limitado.

Bem, bem, bem. Está tudo ótimo até agora, mas acho que há pelo menos dois problemas no meu raciocínio que merecem ser comentados. Um deles é que estou trabalhando com o infinito, uma quantidade imensurável. O ser humano, por mais que diga que pode, não consegue visualizar o infinito, simplesmente pela nossa visão limitada das coisas. Talvez, e somente talvez, não haja conhecimento infinito, embora eu duvide. O outro, e mais sério na minha opinião, é a explicação que resulta da pergunta: por que fazemos perguntas limitadas? Eu digo: porque somos humanos. Vago não? Pois é. Assumindo que somos um animal como outro qualquer, estamos sujeito à mudança através do tempo. Portanto talvez, e somente talvez (embora eu ache muito difícil), nós possamos passar a enxergar as vacas.

Para ver vacas, deveremos deixar de ser o que somos agora (não, não é uma frase com um sentido de sabedoria maior oculto, é exatamente isso que você leu... Entre na metáfora!). Portanto, pode ser que nosso conhecimento limitado se torne menos limitado. Forçando um pouco a analogia, sempre terão animais que você não enxergará, a menos que você seja onisciente. Mas não fiquem pessimistas. Nós ainda temos infinitos carneiros a serem contados.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

3 em 1 (post integrador)

Estou atrasado com alguma das minhas séries aqui no blog, então esse post será um post integrador, é algo que estou testando e se der certo manterei eventualmente (mais uma coisa pra eu lembrar). As 3 séries que introduzirei aqui são "sugestão de jogo", "Em defesa do RPG - parte 6" e uma "filosofia" é claro.

Apenas para situar meus queridos leitores:
- Em defesa do RPG: uma série que, além de defender o RPG e seus benefícios, ensina pessoas não iniciadas as regras e princípios básicos para jogarem. Fiquei devendo raças e classes, então explicarei nesse post.
- Sugestão de jogo: eu costumo sugerir eventualmente um jogo (ou algo parecido) da internet, mas dessa vez será um jogo de Xobx (que estou jogando) para que possa haver uma contextualização.
- A filosofia se baseará na dinâmica do jogo (que é um RPG) e como ele se conecta com nossas vidas.

Antes de lerem, tenham consciência que por ser um post 3 em 1 vai ficar grande. E com "grande" eu quero dizer "se você já não lê meu texto normal e só vem aqui pelas imagens e microtextos, nem se dê ao esforço".

Pois bem, venho aqui tratar de um jogo de videogame em que me viciei e que promete destruir minhas notas na faculdade. Seu nome é Risen.


Como já está indicado na imagem, é um jogo para Xbox 360, portanto talvez nem todos os leitores possam usurfruir dele, mas nada o impede de ler meu post aqui, o qual eu tentarei dar o mínimo de spoilers possível. Infelizmente, terei que contextualizar alguma coisa para que vocês entendam o post.

O enredo de Risen consisite no seguinte: você é um naufrágo que parou em uma ilha (que não é deserta) e acaba tendo que descobrir uma maneira de sobreviver. Ao entrar em contato com a população local em busca de abrigo e comida, você percebe que há um problema na ilha: ruínas de pedra se soergueram do chão, liberando monstros terríveis e tesouros inimagináveis. Imediatamente seguido a esse acontecimento, a Inquisição, uma instituição religiosa, invadiu a ilha e tomou posse de sua cidade sobre pretexto de protegê-la, mas imagina-se que na verdade ela está a procura dos tesouros que se encontram nesses templos.

Antes da chegada da Inquisição, um grupo de lutadores e caçadores, liderados por um homem chamado Don Esteban comandavam a ilha e a "protegiam". O problema de tais homens é que eles se valiam de métodos escusos para proteger os habitantes da ilha: cobravam propinas (ou "taxas de proteção"), assaltavam os próprios moradores da cidade, se associavam a piratas, etc. Com a chegada da Inquisição, Don Esteban se retirou da cidade e foi morar no pântano, onde ele estaria mais seguro e poderia ele próprio explorar as ruínas ao redor para obter sua riqueza. Enquanto isso, no Monastério (local onde antes os magos estudavam, mas que com a chegada da Inquisição se tornou o centro de treinamento dos recrutas da Ordem - outro nome para a Inquisição) a Inquisição protegia a Chama Sagrada - a fonte do poder mágico dos magos, e estudava as ruínas enquanto pilhava suas riquezas.

Pois bem, você de uma hora pra outra se viu no meio desse cenário, e deve agora decidir qual lado tomar: você gostaria de ingressar no grupo de guerreiros e caçadores com ideais duvidosos de Don Esteban? Ou se envolver com os magos e guerreiros da Ordem, cujas atitudes até agora tem um caráter facilmente questionável?


Acho que, pelo que eu falei até agora, deu pra perceber que não há uma "resposta certa". Ambos os lados tem justificativas para que você se associe a eles, e ambos tem comportamentos repudiáveis pelo nosso senso de moral.

Para vocês perceberem como o jogo é bem estruturado, eis um exemplo das razões:

Homens de Don Esteban:
- Eles alegam que a Inquisição mente ao "fingir" que protege o povo, quando seu único objetivo é extratir riqueza das ruínas.
- Eles alegam que a Inquisição "prendeu" os habitantes na cidade (isso de fato aconteceu, ninguém pode entrar ou sair na cidade, mas você vai descobrir um jeito) não com o propósito de protegê-lo dos monstros, mas de impedi-los de explorarem as ruínas.
- Eles alegam que os mercadores da cidade estão levando o povo a miséria, pois estes exigem preços absurdos por seus produtos, inacessíveis a grande parte da população que não vê escolha a não ser vender seus próprios bens para comprar comida.
- Eles alegam serem os "donos por direito" da ilha, pois seus caçadores eram responsáveis pela obtenção de comida, e os lutadores pela proteção. Desse modo todos viviam em paz.

Os guerreiros da Ordem:
- Eles alegam que os homens de Esteban perturbam a organização da cidade com suas atitudes mesquinhas: assaltos, extorsões, etc.
- Eles alegam que a cidade agora está melhor com eles, pois os cidadãos sentem-se verdadeiramente seguros e não tem que pagar nenhuma espécie de "taxa" por isso.
- Aqueles que quiserem ainda podem se voluntariar para a Ordem da Chama Sagrada (o nome completo) como recruta (aprendiz de guerreiro) ou noviço (aprendiz de mago) para contribuir com as ações da Ordem.
- Eles alegam que seu último e único objetivo é, de fato, proteger os cidadãos, pois eles não estão cientes dos perigos que estão por vir. Segundo eles, o erguimento das ruínas é só o começo. Eles são os únicos capazes de impedir males piores, e seus magos estudam como fazê-lo.

Bom, mais motivos e coisas do gênero vocês podem ver no próprio jogo, mas meu objetivo aqui, agora, é mostrar como esse jogo inteligentemente bem programado reflete uma realidade das nossas vidas: escolhemos um grupo pra viver.


Inevitavelmente em nossas vidas, terminamos nos situando em grupos. Às vezes por questões de afinidade, às vezes por circunstâncias, às vezes mesmo por interesses próprios. Escolher um grupo para se manter faz parte da vida em sociedade. Quando se tem um grupo, você já não se torna um indíviduo não-identificável (salvo raras exceções), e sim um membro do grupo X ou do grupo Y. Na escola a separação de grupos sempre mantém alguns estereótipos os quais você pode identificar: o grupo dos populares, o grupo dos bagunceiros, o grupos dos nerds (costumava fazer parte desse, hoje sou do grupo dos "filósofos"), o grupo das minas gatas (esse grupo é sempre uma maravilha), etc. Até mesmo o grupo dos excluídos ainda é um grupo.

Por um lado isso é bom, pois viver em grupo trás consigo suas vantagens. Tais como: confiencialidade (quando você pertence a um grupo desde certo tempo, é de se esperar que exista confiança entre seus integrantes, o que permite a confidencialidade), apoio mútuo (você costuma receber mais suporte das pessoas que já são íntimas de você), praticidade (você não precisa sair de uma "zona de conforto" como costuma fazer quando tenta puxar assunto com alguém que não conhece), compreensão (devido ao contato, as pessoas do grupo já sabem como você é e costumam ser mais tolerantes e razoáveis em relações a atitudes suas que muitas pessoas poderiam desaprovar), etc.

Por outro lado, perde-se algumas coisas ao viver em grupo. Tais como: filantropismo (você se torna o grande "camarada" do pessoal a não pertencer a nenhum grupo, fala com todo mundo, trata todo mundo bem e todos gostam de você - supondo que você não seja um pé-no-saco), opcionalidade (você dificilmente ficará sem ter o que fazer, pois ao conhecer muitas pessoas pode optar por fazer algo com algumas certo dia, e outra coisa com outras outro dia), cosmopolita (você acaba visitando muito mais lugares, conhecendo muito mais gente, e experenciando muito mais coisas do que se vivesse somente com seu grupo específico de amigos), etc.

É difícil por na balança e dizer qual o melhor. Mais por algum motivo a balança sempre pende para formar os grupos. Possivelmente porque as pessoas uma hora se cansam de manter sempre as relações superficiais (o que é muito provável de acontecer quando se conhece muita gente) e acabam se centrando em um grupo de pessoas, pelos motivos que já citei. De certo modo isso facilita nossa vida, embora possamo correr o risco de ser estereotipados como eu já disse. Você não é mais você, você é o estereótipo do seu grupo. Tal efeito acarreta problemas de socialização com outros grupos, pois muitas vezes você é tratado como aquilo que não é, mas como aquilos que as pessoas pensam que você seja.

Entretanto, nem sempre é assim tão fácil. A vida não se resume a escolher Don Esteban ou a Ordem. Você terá que se experimentar, se esforçar, ser compreensivo, até que seja aceito em um certo grupo, ou até que consiga formar um certo grupo (já tratei disso em outros posts). Por mais que alguns possam não asmitir, é confortável viver em grupos. E é o que sempre acontece.


Então vocês se perguntam: será que no RPG existem grupos também? E a resposta, não menos surpreendente é: sim. Não só grupos formados por interesses sociais ou culturais, como em Risen, mas grupos já definidos pelo próprio jogo, em que você se enquadra uma vez e dificilmente poderá mudar (a menos que comece um novo jogo). Tais grupos em RPG são mais diretos, e são chamados de classes. Uma classe clássica do RPG é o guerreiro, e outra é o mago. Ambos estão presentes em Risen, mas com a diferença de que, ao trabalhar para Don Esteban, você se torna um lutador ou um caçador, que são classes do arquétipo combatente (mas não acho interessante entrar em arquétipos agora, por isso só os mencionarei) e ao participar da ordem você se torna um mago (arquétipo conjurador) ou um guerreiro (arquétipo combatente também).

Ainda não sei se é possível mudar de classe ao longo do jogo, mas no RPG de tabuleiro você dificilmente terá essa opção. Uma vez mago, sempre mago, uma vez guerreiro, sempre guerreiro. Pode parecer limitante, mas é simplesmente uma consequência do fenômeno da especificidade: você estuda e se forma em algo específico, para seguir carreira nisso posteriormente. É mais ou menos assim no RPG. Só que sua classe não costuma ser só seu emprego, mas seu grupo (o que acontece muitas vezes na vida real). Magos em RPG costumam viver de fato em templos isolados, ou em grandes academias, como se fossem os acadêmicos de hoje. Eles tomam as lições arcanas para aperfeiçoarem-se na magia, não só seu instrumento de trabalho, mas sua vida. Guerreiros já utilizam mais de suas capacidades físicas e intuitivas, e podem participar de lutas corpo-a-corpo (como gladiadores e bárbaros), ou podem ser mais sutis, e se valer da distância (como arqueiros e besteiros).

O conceito de raça em RPG é quase o mesmo que se pode traçar no mundo real. Corretamente falando (no mundo real), raças são subespécies. Isto é, são grupos menores dentro da espécie, que apresentam variabilidade e características suficientemente diferentes entre si para serem assim caracterizados (imagine os cachorros - poodle, pequinês, pug, chowchow, dobermann & cia ilimitada). Mas no RPG, raça é usado como espécie mesmo. Ou seja, existem os humanos, os elfos, os anões, os halflings, os goblins, os orcs, etc. Até onde eu vi, Risen só conta com humanos e orcs. É importante lembrar também que, RPGísticamente falando uma "raça" só pode ser assim considerada se o ser que se está enquadrando é consciente. Seres sencientes não são raças em RPG, são monstros ou animais (salvo exceções, como dragões - que poderiam até ser considerados uma raça).

No RPG também existe, digamos, os "vira-latas" do mundo dos cachorros. Mestiçagens entre algumas raças não são só viáveis como também consideradas novas raças: meio-orc, meio-elfo, etc. Ao jogar RPG, uma das primeiras coisas que terá de escolher é sua raça, pois cada uma apresenta vantagens e desvantagens e bônus específicos nos atributos (explicarei no meu próximo post o que são os atributos). Ou seja, primeiro você define o que você é, para definir quem você vai querer ser (ao escolher sua classe).

Então não confundam: raças são espécies auto-conscientes (no RPG) e classes são grupos, ou "profissões" por assim dizer que você poderá escolher uma para trilhar. Afinal, como no mundo real, o RPG também conta com seus grupos. Decida de qual você quer fazer parte, e divirta-se jogando!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Onisciente (filosofia)

Apesar de pensar que tal ativididade é incrivelmente insensata, é impossível recusar-me a disposar dela sempre que me sinto atraído. Imagine-se onisciente.

Você sabe tudo. Absolutamente.

Você sabe o que vai acontecer, o que está acontecendo e o que pode acontecer. Se são adeptos do livre arbítrio como eu, você sabe todas as possibilidades de ocorrência de todos os eventos.

Você é capaz de alterar o futuro a seu bel-prazer, pois sabe as ações certas a empenhar. Mas você sabe mais do que isso. Você sabe o sentido da vida. Sabe o que é o universo. Sabe até o que falar pra pegar aquela gostosa na festa que jamais olharia pra sua cara (e sabe como ela vai ser na cama, se "ela" realmente é "ela" e outras coisas mais...).

Você pode não ser onipotente, mas sabe como se tornar (ou ao menos sabe se é possível ou não se tornar).

Você é possuidor de características paradoxais: você sabe como é não ser onisciente, como é que se sente um ser não onisciente e saberia como se tornar não-onisciente (mais uma vez: se isso fosse possível).

Você é, nas palavras de Raul Seixas que eu invoco mais uma vez: a luz das estrelas, a cor do luar, as coisas da vida, o medo de amar. Você foi, você é, você será.

Resumindo: que saco ser onisciente. Imagino que um ser onisciente não precisaria mais se manter na nossa condição humana. *bocejo*. Muito pouco desafiador.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Auto-limitante (filosofia)

É engraçado como costumamos nós mesmos nos auto-limitar. E fazemos isso não por intenção, mas por pressão, ou por descuido.

Como nos auto-limitamos? Essa é uma questão divertida, porque a nossa limitação decorre de nossa própria reflexão temerosa sobre aquilo que estamos fazendo. Como assim? É simples. Imagine que você tem que se apresentar para o um público extenso. Naquele momento você está seguro, confiante, sabe o que vai falar e como vai falar. Entretanto, nesse momento de extrema paz interior, lhe ocorre um pensamento demoníaco: "e se eu ficar nervoso?". Pronto. Tudo foi pelos ares.

Se nós não perguntássemos "e se" nessas situações, não incapacitariamos a nós mesmos naquilo que estamos fazendo. Ainda não se convenceu? Então que tal um exemplo ainda mais comum: você está estudando, incrivelmente concentrado e interessado no assunto, até que você pensa: "e se eu não conseguir me concentrar?". Mais uma vez, seu pensamento se volta contra você, e até os veios da madeira da mesa que você estuda passam a se tornar mais interessantes do que o que você estava lendo.

Contra tal limitação, há poucos remédios que eu saiba. Um deles é a indiferença. Ignorando o que você pensou você é plenamente capaz de continuar sem se limitar. Outro é tentar se esquecer. Esse é bem difícil e, particularmente, se torna eficiente quando você turbilhona um monte de ideias ao mesmo tempo para ver se tal pensamento se afunda no limbo da sua mente. Acima de todas essas técnica está o auto-controle, o arqui-inimigo da auto-limitação (acho que os hífens estão de acordo com a nova reforma). Se você for capaz de sobrepujar tal pensamento, você é capaz de impedir sua própria limitação.

Como adquirir o auto-controle? Bem, imagino que confiança seja a chave, assim como força de vontade. Mas eu particularmente penso que há um terceiro fator: o quanto alguma atividade lhe agrada. Se você adora ler livros do... Harry Potter... Mesmo que você pense "e se eu me desconcentrar?" você possivelmente se manterá concentrado devido ao grande prazer que tal atividade confere a você.

Bom, isso é tudo, mas será que vocês se perguntaram se eu me perguntei "e se esse post não ficar legal?". Bom, saciando a curiosidade de vocês: sim, eu me perguntei.

sábado, 4 de setembro de 2010

A escalada (filosofia)

Há muitas formas de se subir na vida. Muitas maneiras de escalar tal montanha. Vou resumir tais maneiras em três: circunstâncias, esforço ou meios adicionais.

Subir na vida mediante circunstâncias implica o favorecimento (totalmente ao acaso) de determinados eventos em seu favor, tais como ser ator e encontrar um produtor famoso que admire seu trabalho, ser artista e conseguir um figurão para promover suas pinturas, descobrir acidentalmente uma proteína importante em uma via metabólica, etc. Mas é importante notar que, apesar do favorecimento de circunstâncias, todos os casos acima contam com o esforço daqueles que obtiveram sucesso, mesmo que de maneira não tão absurda. Se você é um bom ator, um bom artista ou um bom cientista tais coisas acontecerão a você. Obviamente, você ainda pode subir através das circunstâncias puramente, como ganhando na mega sena, acertando um palpite na bolsa de valores, ou ganhando o Big Brother (eu me recuso a afirmar que tem que ter talento pra ganhar aquilo).

O esforço seria a maneira mais nobre de subir na vida. Através do suor de seu corpo e do trabalho de sua mente você consegue obter aquilo que deseja. O esforço tem uma regra bem simples e objetiva, mas é tal regra que faz muitas pessoas não subirem na vida, ou subirem mediante os "meios adicionais". A regra do esforço é a repetição. Um bom jogador de futebol pode até ter uma inclinação para aquilo, mas sem treinar diariamente e constantemente ele não seria um bom jogador. O mesmo é válido para o bom músico, o bom cientisa, o bom artista marcial etc. Há casos como o de advogados ou historiadores que o esforço é menos voltado à repetição e mais voltado à leitura, ou ao raciocínio, mas no fim tudo deriva de uma prática constante.

O caso do esforço é interessante, pois costuma-se comparar os esforços realizados. Imaginemos um jogador de futebol profissional e um médico. O jogador de futebol profissional que joga em um time de médio ou grande porte ganha um salário consideravelmente maior que o do médico, entretanto "tudo que ele faz" é o esforço físico de acordar e treinar para manter ou melhorar sua aptidão com a bola. Já o médico passou a vida inteira debruçado sobre livros, estudando e praticando sua prática, sempre ciente do peso da vida e da morte que terá na sua mão no futuro. É certo dizer que o médico é injustiçado diante do jogador? Penso que isso é assunto para outro post, mas só para exprimir um pouco da minha opinião, considero que sim e não (ah, agora eu esclareci tudo).

Agora você deve estar pensando o que são os "meios adicionais". Bom, seriam aqueles que derivam ou de um benefício genético ou de uma quebra das regras do convívio social. É simples: alguém que nasceu bonito(a), por exemplo, poderia se tornar um modelo, o que lhe custaria tempo, mas de fato o esforço realizado seria mínimo se comparado ao que os outros precisariam fazer para alcançar o mesmo patamar. A quebra das regras do convívio são os meios baixos e/ou não louváveis de se subir na vida: furtando, roubando, traficando, matando, etc. Todos são desprezíveis, mas não podem deixar de ser mencionadas como alternativas utilizadas.

O problema da escalada da vida, como um todo, é que nem todos começam no mesmo ponto da montanha. Enquanto alguns estão nos sopém, outros já estão quase no pico devido a benefícios e circunstâncias favoráveis. Muitos tentam subir e caem sem jamais se levantar, outros sequer conseguem começar a escalada. No entanto, sempre há uns poucos aventurados que alcançam o topo, valendo-se de um ou mais dos meios acima citados. Quanto a quem consegue ficar no topo ou não, isso já é assunto para outro post.

sábado, 28 de agosto de 2010

Uma conversa a dois (filosofia)

Quando conversamos com outra pessoa podemos, resumidamente, nos sentir confortáveis ou desconfortáveis. A confortabilidade costuma vir com a intimidade, o tempo de convívio, as experiências passadas juntos, etc. A desconfortabilidade é gerada pela falta de afinidade, pelo conhecimento esparso de um outro alguém, por falta de coisas em comum, etc. De todo modo, é factual que todos já experimentaram a sensação de "silêncio críptico" que muitas vezes atinge uma conversa.

Em meu post "socialização" eu enfatizei a dificuldade que existe em interagir com outras pessoas uma primeira vez. Nesse processo acabamos nos deparando várias vezes com o silêncio que tanto desejamos quebrar. Entretanto, quero observar (e sobre isso que tratarei nesse post) que há um tipo de conversa a dois que jamais, em momento algum, alcançará tal momento de silêncio críptico. Uma conversa com um livro.

O livro é, sem dúvida, o único companheiro de conversa que jamais te deixará sem palavras, que de maneira alguma ignorará suas ânsia de vê-lo, que não despertará seu desejo de contato, conexão, familiaridade, pois esses desejos já estaram saciados.

Por que? Talvez porque o contato com o livro já comece de maneira familiar: você só o escolherá se ele o agradar. Você terá que dar o primeiro passo na socialização com ele: terá que adquiri-lo. Mas, após essa fase, o livro se mostrará um fiel companheiro, ele certamente falará muito com você. O livro te mostrará outras maneiras de enxergar a realidade, te transportará para lugares que você nunca esteve, te explicará como tudo funciona.

Pode se alegar que o livro é limitado. Que ele só tem uma mesma história pra contar e, quando esta termina, o livro não mais serve de nada. Isso nunca esteve mais distante da realidade. Apesar do livro manter eternamente as mesmas palavras em suas páginas, você muda. Você, ao lê-lo novamente, perceberá nuances que tinha deixado escapar, interpretará passagens de outra maneira, reviverá as mesmas emoções de um modo conhecido, mas totalmente novo. O livro pode ser estático, mas o leitor é dinâmico.

A conversa com o livro é um momento íntimo, pessoal, próprio, em que cada palavra afeta você de modo que só você pode sentir. Cada livro transforma uma pessoa de alguma maneira, e os melhores livros são os que conseguem transformar o maior número de pessoas, são aqueles que, como dizia Tolkien, deixam o leitor se identificar e iterpretar a história do seu jeito, e não trazer um molde definido de como ele deveria ser lido e interepretado.

Se existe uma conversa a dois que tem muita chance de dar certo, é a conversa com um livro.

"A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde"
- André Maurois

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Aprimorar (filosofia)

O ser humano tem, pelo menos, duas graças em sua vida: uma seria a capacidade diferenciada de aprender. Pois, diferentemente dos outros animais, o homem consegue aprender e desenvolver um raciocínio complexo através da lógica e do bom senso. A outra seria a possibilidade de passar a vida inteira aprendendo. Um é um dom, digamos assim, o outro uma escolha. Pena que essa escolha seja desprezada inteiramente nos dias de hoje.

Como seres humanos, deveríamos buscar sempre a melhora, o aprimoramento. Isto é, temos a chance de aprendermos o que quisermos e quanto quisermos ao longo de nossa vida, mas ao invés disso somos muito preguiçosos ou desinteressados para explorar nosso verdadeiro potencial. E isso começa cedo. Desde novos, já é costume de muitos associar "estudo" com "chateação", "inutilidade". Tamanho absurdo é tão inconcebível que chego ao ponto de me calar mediante essa colocação. Nós vivemos em uma época privilegiada, em que conhecimento, antes um bem precioso, é agora acessível a todos. E após séculos de espera por esse momento, jogamos tudo ao vento, pois o "esforço não vale o ganho" (outro absurdo).

Não há algo mais medíocre na Terra do que o homem ignorante. Me desculpem, deixe-me corrigir: não há nada mais medíocre do que o homem que não busca se tornar menos ignorante. Estudo é uma forma de se conhecer e entender uma pequena fração de tudo que nos cerca e nos compõe. Não só o estudo acadêmico, mas o estudo musical, o estudo artístico, o estudo literário, etc. O mundo é cercado de maravilhas feitas pela natureza e pelo próprio homem, mas o que se vê é o homem ignorando seu passado de busca por conhecimento em detrimento de uma vida vazia.

Somos um cântaro de argila, e o que nos preenche é o conhecimento. Se não o possuímos devemos buscá-lo, pois de outra forma somos inúteis no sentido mais literal da palavra. Eu já disse uma vez que somos a consciência do Universo. Pois bem, como poderemos o sê-lo, se não buscarmos constantemente uma maior compreensão sobre ele? O homem deve sempre tentar progredir, no sentido de acumular mais conhecimento, pois a busca pelo saber é a chama incandescente que brilha no coração dos homens e que irradia sua luz para todos os outros a sua volta. Sem saber, somos uma pira apagada, um cântaro vazio.

Busquemos o conhecimento, o aprimoramento, o saber. Sejamos tão bons ou ainda melhores do que aqueles que vieram antes de nós e que também o fizeram. Não consigo imaginar melhor sentido para vida do que aproveitá-la e tentar compreendê-la.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Fugaz (filosofia)

A uma passante

A rua em derredor era um ruído incomum,
longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;

Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exata.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala o frenesi que mata.

Um relâmpago e após a noite! — Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
So te verei um dia e já na eternidade?

Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado — e o sabias demais!

                Charles Baudelaire
                (Trad. Paulo Menezes)


You're beautiful - James Blunt

My life is brilliant.

My life is brilliant
My love is pure.
I saw an angel.
Of that I'm sure.
She smiled at me on the subway.
She was with another man.
But I won't lose no sleep on that,
'Cause I've got a plan.

You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.
I saw your face in a crowded place,
And I don't know what to do,
'Cause I'll never be with you.

Yes, she caught my eye,
As we walked on by.
She could see from my face that I was,
Flying high,
And I don't think that I'll see her again,
But we shared a moment that will last 'till the end.

You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.
I saw your face in a crowded place,
And I don't know what to do,
'Cause I'll never be with you.

You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.
There must be an angel with a smile on her face,
When she thought up that I should be with you.
But it's time to face the truth,
I will never be with you.

A vida é vivida em momentos. Um breve momento, que durou apenas o tempo de sua respiração, será ainda capaz de ter mais valor que horas passadas em desperdício a alguma atividade banal. E que momento é mais valioso, e mais poderoso, do que quando cruzamos os olhares com alguém na rua, e pensamos que essa poderia ser a pessoa que mudaria nossa vida para sempre? Mas é tudo muito rápido, fugaz. Ela pensou o mesmo, mas seguiu em frente, e assim você o faz também, desejando que aquele instante tivesse durado para sempre, e apesar de desejar isso, ambos vocês sabem que esse momento já ficou marcado nos anais da imortalidade.

Vivam os momentos mais fugazes.

sábado, 12 de junho de 2010

"Difícil" (filosofia)

Um adjetivo interessante. O que alguém realmente quer dizer quando diz que algo é difícil? "Que não é fácil", alguém poderia dizer, mas definir algo pelo que ele não é nada mais é do que não saber defini-lo.

Arriscado? Talvez, mas se jogar de um precipício sem para-quedas é arriscado, mas não é difícil (embora ainda seja estúpido).

Exigente? Pode ser, mas não necessariamente algo que requira sua atenção para atingir certos padrões pré-determinados significa que seja algo difícil de ser feito, apenas que demanda atenção.

Complicado? É válido, mas então entraremos no problema de definir complicado, pois o complicado de uns é o simples para outros, então o difícil se tornaria algo condicionado a uma perspectiva (embora ele provavelmente o é, mas não acredito que o seja em uma escala tão arbitrária).

Pouco provável? Essa seria uma boa definição, mas como podemos mensurar o "pouco provável"? Talvez calcular matematicamente seja uma forma simples de indicar as chances de algo acontecer, mas não nos ensinará onde traçar a linha do "difícil". Tirar um ás de paus do baralho é uma chance em cinquenta e duas. Isso certamente é mais difícil que tirar um ás de qualquer naipe, visto que as chances aumentam para quatro em cinquenta e duas, mas então teremos o difícil limitado a um evento comparatório. Como não limitá-lo?

Imaginemos: quando as pessoas dizem que algo é "difícil" em suas vidas, qual sua intenção? "Que necessita muito esforço para conseguir", mas desse modo só conseguimos piorar a situação, pois caberia a nós dizer o que é "muito". E se tomarmos como pressuposto que um mesmo evento que necessite maior esforço por parte de um do que de outro, ele poderia ser qualificado como "difícil" por esse um? (veja que agora limitamos a comparação sem precisar de mais eventos, apenas trocamos as perspectivas).

Mas como saberemos quem se esforçou mais para obtê-lo? É provável que levantar uma massa de 20 quilogramas seja mais fácil para um halterofilista do que para um homem que não pratica exercícios. Mas só por esse momento podemos mensurar todo o esforço do atleta? Consideremos que ao longo de sua vida ele gastou milhares de horas em academia, enquanto o outro não se esforçava em nada para poder levantar esta massa de 20 quilogramas, quem se esforçou mais? Dependerá. Se considerarmos o esforço a longo prazo, o halterofilista certamente se esforçou mais, mas se considerarmos o esforço momentâneo, o homem sedentário terá que se esforçar mais. Como dizer qual é mais valioso? Como trataremos o fator "tempo"?

Vejo uma grande problemática envolvida em definir o que é "difícil". Minha sugestão para resolvê-la: abandone esta palavra. Por que? Porque seu significado não transmite nada, além da pura ilusão de que algo se tornou mais desafiador do que ele realmente o é. Nada é difícil, pois tudo custará um determinado esforço para alguém, esforço esse que não podemos travar parâmetro seguro para avaliar. Só podemos dizer que custará algo. Mas é preciso que estejamos dispostos a nos auto-sacrificar em prol de algo que desejamos, pois do contrário não seremos dignos de seu merecimento. O "difícil" nos torna inseguros, acuados, oblíquos. Se você não for capaz de cruzar desertos, escalar montanhas e nadar oceanos porque alguém certa vez lhe disse que era "difícil", não recue. Diga em resposta: isso não existe. Tudo que ser quer, pode ser obtido, desde que se esteja disposto a lutar por isso. Quanto se deve lutar? Só você saberá, mas eu posso lhe dizer: lutar o suficiente. O suficiente até atingir seus objetivos.

Não recue, não se acue, não regrida. Lute. Lute, pois o difícil nada mais é que produto da imaginação dos homens, tentando oprimi-los para fazê-los desistirem de seus sonhos. Lute pelo que quer, pois não há dificuldade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Convicção (filosofia)

Não há nada melhor do que ouvir alguém falando com certeza do que diz. Embora alguns digam que a certeza é a qualidade dos tolos (e eu mesmo elaborei um post sobre a arte de duvidar), o que estou colocando aqui não diz respeito a convicção cega e absoluta, inexorável e estática. Diz respeito a uma convicção que é resultante de muito estudo, ou de muitas experiências acumuladas, fazendo com que a informação transmitida seja passada com segurança e confiança.

A convicção que trazem os anos não deve ser confundidas com a certeza do acontecimento dos eventos, mas sim da grande possibilidade de occorência devido a observação metódica e casual dos mesmos, o que leva àquele que transmite a mensagem a falar com segurança "pela aparência do céu, choverá", ou "pelo estado do seu livro, você não costuma lê-lo muito". Pode parecer uma habilidade supérflua ou trivial, mas é a partir dela que se fazem grandes deduções do estilo de vida de uma pessoa, ou até mesmo de sua personalidade. Tudo baseando-se no costume de observar detalhes infímos, ou às vezes tão extravagantes que acabam passando sem ser notados. A pessoa falará convicta daquilo que diz, podendo estar errada, mas sua certeza terá um fundamento lógico ou, em último caso (mas não menos importante), instintivo.

Derivada dessa certeza da experiência surgem os grandes mestres de leitura corporal, de atitudes e de comportamentos. Para quem já leu livros de Sir Conan Doyle, Sherlock Holmes costumava fazer deduções incríveis principalmente de atitudes e comportamentos, a partir de detalhes insignificantes, ou às vezes não tão insignificantes, mas que simplesmente eram ignorados pelas pessoas ao redor. E sempre possuía a convicção certeira do que dizia, pois tinha uma lógica por trás daquilo que falava.

O outro tipo de convicção é tão valioso quanto este primeiro, e muitas vezes eles veem associados: a convicção vinda do estudo. Para aquele estudioso que leu muitos livros, domina incrivelmente bem uma área, poucas seriam as perguntas que o deixariam confuso ou desnorteado, sendo ele capaz de responder aos mais diversos questionamentos sobre o assunto de maneira certa e sempre mostrando o encadeamento de seu raciocínio. Esta é uma habilidade valiosa, pois muitas vezes os estudiosos não procuram a base daquilo em que acreditam, e possuem um conhecimento o qual eles desconhecem a origem, e por esse motivo ele é defasado.

Produto dessa convicção teremos os grandes oradores, professores e representantes, pois a fala se torna muito mais fluida quando se tem convicção daquilo que se diz. Quando se é capaz de defender sua ideia com embasamento não só teórico, mas também experimental, e quando se é capaz de passar esse conhecimento adiante sem o resquício da incerteza, mas, como já colocado, esse conhecimento sempre será passível de ser transformado ao passar do tempo, pois ele é maleável aos fatos.

No outro extremo dessas duas linhas estão as pessoas que falam "anhh... enhh... Eu imagino que seja isso, mas não tenho certeza" ou aquelas que exprimem sua opinião sem qualquer certeza ou embasamento do que se diz, mas sem se preocupar com as consequências de tal ato desde que ganhem o debate ou a discussão, ou passem a informação adiante.

Por isso é fundamental nos associarmos a pessoas convictas (e maleáveis), que estarão sempre dispostas a passar seu conhecimento e ensinamentos adiante, e devemos nos esforçar para nos tornamos próximos dessas pessoas, pois assim não viveremos no submundo da incerteza e da hesitação, onde não podemos confiar em nossos próprios conhecimentos. Por mais clichê que possa parecer, é evidente que a busca do conhecimento e sa sabedoria é fundamental.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Dúvida (filosofia)

A arte de duvidar. Será que devemos levá-la ao extremo? Ou será que não há "extremo"? Será que somente há o limite máximo que nossa mente pode duvidar antes de cair em uma imensa tautologia metafísica?

Entenda leitor, eu imagino que você já tenha duvidado da sua existência. Antes de isso se tornar tão comum e difundido pelo filme Matrix, com Neo, você possivelmente já tinha se perguntado ou ao menos se perguntaria: será que tudo a minha volta é real? Será que eu não sou apenas a projeção mental de um outro ser? Ou os dados de uma programa de computador de Aliens? Como posso saber que "eu" realmente sou "eu"?

É uma excelente pergunta, cuja resposta até agora não encontrei nenhuma convincente. Nós podemos apenas especular sobre sermos ou não reais ou estarmos ou não aqui. Mas você já duvidou de coisas mais óbvias (se é que você nã considera sua existência algo óbvio). Será que a chuva realmente molha? Será que a gravidade é uma distorção da malha espaço-temporal que faz com que a matéria "afunde" nela? Será que o oxigênio é o que realmente nos mantém vivos? Será que o Sol realmente funciona à fusão de hidrogênio? Será que eu posso acreditar na ciência? Ou na religião? E na filosofia?

É de enlouquecer não é mesmo? Alguém pode dizer que é tolo aquele quem aceita tudo sem questionar, mas é estúpido aquele que questiona tudo. Será mesmo? Será que esta não é uma colocação duvidosa? Questionável? E essa que eu fiz agora sobre a primeira ser uma colocação duvidosa? Será que também não o é? E esta última?

Imagino que agora vocês tenham percebido o infinito ciclo de regressão para qual é levado todo aquele que se questiona demais. Não considero se questionar demais um problema, considero se questionar demais da maneira errada um problema. Não há mal algum em questionar se você é você, se o mundo é o mundo e se tudo funciona como dizem para você que funciona. Mas você não pode extremizar o pensamento e duvidar de tudo que a ciência fala, pois a simples arte de duvidar é ignorante. A dúvida é efeito da refexão e não sua causa, e se você transforma a dúvida em causa você não tem nada além de um imbecil que questiona tudo sem apontar saída ou solução.

Platão questionava o mundo. Mas ele havia refletido antes, pois para ele o mundo real era o das ideias, e este era apenas um véu que estava por cima deste outro. Descartes duvidou de sua existência, mas para concluir que ele existia devido a sua dúvida, ao seu pensamento. E assim foram muitos outros, pois a dúvida vem da reflexão, e da dúvida vem o conhecimento.

Portanto leitor, não se importe em duvidar de tudo, desde de que você tenha tido motivos para tal. Não se importe em lutar contra o "óbvio", porque o "óbvio" é algo tão sólido quanto o é um castelo de areia na praia em dia de tempestade. Agora, se pergunte leitor: você tem duvidado o suficiente? Eu duvido.

sábado, 24 de abril de 2010

Um tempo de palavra (filosofia)

Eu tenho uma incrível dificuldade em fazer uma prova diretamente de caneta. Imagino que outros leitores devem compartilhar esse tipo de problema comigo. Simplesmente porque não sou suficientemente capaz de resumir toda uma resposta de forma objetiva e satisfatória, ao menos não na primeira tentativa. Eis que isso me leva a entregar a maioria das minhas provas a lápis, tanto pelo pouco tempo que sobra para passá-las a limpo como o incoveniente que é fazê-lo. Consequentemente, sou obrigado a ouvir a recorrente observação dos corretores da prova: "tudo bem, mas não poderá exigir recorreção", e eu simplesmente assinto com a cabeça diante daquela colocação indiscutível. Mas até que ponto indiscutível?

O argumento mais usado para impedir qualquer recorreção é o que diz que a prova é um documento e, como tal, deve ser preenchido de caneta, o que evitaria possíveis "alterações", se é que me entendem. Bem, eu lhes digo, minha palavra não vale mais nada? A palavra de ninguém não tem mais valor? Onde estão os tempos de honra? Se eu recebesse minha prova e visse um erro na correção, teria que me manter calado. Simplesmente porque, ao levá-la para ser examinada minha credibilidade seria contestada por ter feito a prova a lápis. Realmente o mundo mudou.

Apesar de termos feitos avanços fantásticos nos campos da ciência, da filosofia, e até onde podemos imaginar, nas leis e códigos éticos que integram nossa sociedade, de forma que ela se aproxime o melhor possível do que chamamos de "justa", o mundo se tornou mais hipócrita. Poderíamos sugerir culpados: a competição gerada e estimulada pelo nosso próprio sistema de governo, a superpopulação que levou a interação humana a níveis nunca antes vistos, a crises existenciais geradas pela contestação de nossas crenças sobrenaturais, a própria revelação da real natureza humana oriunda da nova sociedade, enfim... Fácil apontar culpados, difícil dizer quem tem a razão. Prefiro não me ater a isso. Prefiro focar-me na principal consequência causada por esse mundo hipócrita: a falta de confiança.

Não se pode dormir de portas abertas, evita-se cruzar com estranhos quando se está solitário em um rua escura, evita-se beber em um mesmo copo duas vezes em uma festa, principalmente se o tivermos perdido de vista, não se confia mais na própria polícia, que pode estar corrompida. E isso se estende até aspectos da vida que consideramos seguros, como evitar abrir um e-mail que possa conter um vírus, não confiar em uma babá para cuidar de seus filhos pequenos, lavar as leguminosas do mercado que podem conter agrotóxicos, e ainda se estende a grandes aspectos institucionais, como antes de fazer um seguro de vida é preciso saber sua condição sócio-econômica, seu estado de saúde, sua idade. Só recebe financiamentos altos quem comprova ter uma renda muito acima daquele valor das parcelas, para evitar os calotes, etc. Não negarei que é necessário, mas direi que não deveria ser.

Foi-se os tempos em que a palavra de um homem era todo o valor que atribuíam a ele. Foi-se os tempos em que contratos comerciais podiam ser selados com um aperto de mãos e a promessa de cumprimento do acordo de ambas as partes. Foi-se os tempos em que samurais que, após falhar para com seu imperador, suicidavam-se em nome de sua honra. Foi-se os tempos em que a única relação entre suserano e vassalo era a de fidelidade, ajudando-se mutuamente tanto em questões cotidianas e triviais, até o momento da deflagração de uma guerra.

Tristes esses tempos que aqui estão e que ainda estarão, em que a palavra de um homem vale menos que a tinta de uma caneta.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quem somos nós? (filosofia)

Uma pergunta que a humanidade se faz desde que se considera a humanidade. Quem somos nós? Por que estamos aqui? Qual a nossa importância?

Veja bem, essa é uma pergunta que gera centenas de respostas com centenas de origens diferentes. Eu não sou prepotente a ponto de crer que a resposta que darei aqui é a correta (pensando bem, sou sim...), mas espero que vocês a compreendam e julguem da melhor maneira possível. Esse, diga-se de passagem, não é um ponto de vista exclusivamente meu, leiam o livro "criação imperfeita" de Marcelo Glaiser e verão que temos o mesmo ponto.

A filosofia, a ciência e a religião batalham por uma resposta. Como esta é uma filosofia minha, saibam que o que direi aqui não será cientificamente comprovável, mas também não será retirado do nada, terá uma lógica racional.

O que você se considera leitor? Um produto da Obra Divina? Pois bem. Ótimo. Pare de ler agora. Eu mandei parar. Por que está continuando? Quer uma explicação, é isso? A explicação é simples: a fé basta por si mesma. E eu respeito isso, tanto respeito que eu mesmo creio em Deus, mas ao meu jeito de crer.

Mas você não crê em Deus. Ou ao menos não tem opinião formada. Ótimo, peguemos a pior opinião: você pensa que somos amebas no universo. Que nossa existência é ridícula em relação ao tempo do Universo, que nossas obras não são impactantes para ele, que sequer fazemos alguma diferença nele. Talvez até creia que surgimos ao acaso. Um mero acidente químico e biológico que resultou em nós, os organismos mais convencidos do Universo, por acharem que ele gira em torno de nós.

Agora eu lhe digo: se surgimos ao acaso, não somos impactantes e vivemos pouquíssimo, quer dizer que não somos especiais? Jamais. Leitor cético, olhe para o espelho e repita 10 vezes "eu sou a consciência do universo". Já parou para pensar que é você quem pensa pelo universo? Você, ou melhor, todos nós humanos, somos a metafísica do universo, pois nós pensamos por ele, para ele e sobre ele. Sem nós, o universo seria inerte (isso supondo o nosso universo conhecido, onde ainda não foi encontrada vida inteligente fora daqui).

O que acha leitor: pergunta-se "quem somos nós?", responde-se "Independente de qualquer outra coisa que possamos ser, somos 'o meio pelo qual o Universo entende a si mesmo'". Isso não é fantástico? Isso não nos torna únicos? Especias? Se não torna, não sei o que tornará. Nós temos a tarefa mais nobre da galáxia: pensar. E é por isso leitor, que eu sou especial, que você é especial, que todos somos especiais. Pense nisso.

domingo, 28 de março de 2010

Independência (filosofia)

Uma experiência fantástisca que todo ser humano deveria ter, é ler a Declaração de Indepedência dos Estados Unidos (o texto é pequeno). Permita-me lhes mostrar um pequeno trecho dela:

"Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade."

Então, para aqueles que redigiram este simbólico documento, ser independente significa ter o magnifíco direito da vida, o direito da liberdade (sendo este um direito que traz consigo muitos deveres) e o direito mais nobre de todos: o direito da busca pela felicidade. Tomando, com todo o respeito e reverência, a ideia de que estes sejam os direitos que um homem necessita ter para que possa ser considerado independente, vamos avaliar cada um deles a fundo para ver se descobrimos o que significa "ser independente".

O direito da vida. A vida, antes de mais nada, é uma condição da matéria. É somente esta condição que o torna diferente de um sopro de vento, de uma pedra, de uma onda quebrando sobre a praia. Mas ela é algo muito mais belo que isso: a vida é um fenômeno único, e ela o é por fazer algo que nennhuma outra condição é capaz de fazer - tornar a matéria inerte em algo animado, capaz de interagir com outros seres vivos e com o mundo ao seu redor. A vida, portanto, é o que integra de modo único, a matéria. Não somente por leis físicas ou químicas é regido o universo, mas pela vida, que é o terceiro elemento integrante ao lado desses dois, mas que, sem dúvida, é o mais peculiar de todos, por ser capaz de pensar sobre si mesmo.

O direito da liberdade. A liberdade é, como eu já disse, um direito e um dever, pois com a liberdade deve vir sempre a responsabilidade. A criatura livre é aquela que tem plena capacidade de exercer suas funções, para se integrar o melhor possível ao mundo que a envolve (ou seja, a liberdade é o direito que lhe permite exercer, o melhor possível, a condição da vida). Mas o homem livre é a criatura que mais deve observar por sua liberdade, pois a ele cabe a tarefa única de zelar pela liberdade dos outros homens e criaturas, assim como pela sua própria. Liberdade humana não significa tomar a atitude que quiser, mas ter o direito de escolher pela melhor atitude. Por isso liberdade envolve sacríficios, envolve entendimento, envolve acordos. Mas ainda sim, é somente por meio dela que se pode exercer a condição final de "ser vivo".

O direito da busca pela felicidade. Este, sem dúvida alguma, é o mais nobre de todos os direitos. Por que é ele, e somente ele, que dá sentido a vida humana. O homem vive para buscar a felicidade, e deve-se lembrar que essa não é uma busca que é feita somente uma vez, é feita sempre, continuamente, pois a felicidade nunca poderá ser atingida em sua totalidade. E ela será, inúmeras vezes, perdida. Então a busca pela felicidade é o motivo pelo qual se vive, e deve ser realizada sempre por meio de seu potencial máximo (liberdade). Lembrando sempre: a busca é contínua, e sua conclusão (não definitiva) é, para que se atinja felicidade genuína, trabalhosa. Mas o seu fim, que é a obtenção (ainda que momentânea) da felicidade, faz valer todo o esforço.

Então agora, o que podemos dizer ser um homem independente? Ser um homem independente é sempre buscar a integração com o mundo (o direito à vida), exercer o melhor que puder essa integração, de modo a não prejudicar a integração dos outros seres (o direito à liberdade) e, nesse interím, buscar contiuamente o sentido pelo qual você se integra, que é ser feliz (o direito à busca pela felicidade).

Agora leitor, pense a respeito disso e se pergunte: você é independente?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Olho no olho (filosofia)

Sou só eu, ou mais alguém aqui não gosta de olhar nos olhos das outras pessoas? Vi uma vez, com fontes que prefiro ocultar (tá bom, tá bom, o filme era "Atlantis - o retorno de milo" da Disney, mas não contem pra ninguém), que "os olhos são as janelas da alma". Pois bem, você gosta de espiar pela janela de alguém? Ok, você pode até gostar, mas sabe que não é certo.

Partircularmente, venho tentando criar o hábito de olhar nos olhos das pessoas enquanto falo, mas não é do meu feitio. Definitivamente são poucas as pessoas as quais consigo olhar olho no olho sem me sentir desconfortável. E não por parte de ver a pessoa, mas sim por saber que ela está me observando. Observando minha alma.

Não, não é que tenho algo a esconder. Quer dizer, eu tenho segredos, mas não é olhando nos meus olhos que vão descobri-los. A questão é que os olhos são algo pessoal, especial. São por seus olhos que você vê o mundo, e acaba sendo por eles que as pessoas te veem. Mas não é justo deixar que qualquer pessoa veja sua essência, ou é?

Há muitas culturas que são opostas, em algumas olhar nos olhos é uma tremenda falta de respeito, em outras NÃO olhar que é a fata de respeito. Eu não vou dizer que seja falta de respeito, mas sim que seja incômodo. Encarar uma pessoa é uma atitude que deveria ser realizada entre amigos, velhos conhecidos, parentes. Pessoas em quem você confia, e para quem sua alma é um livro aberto.



Essa será uma filosofia democrática, porque está embasada principalmente na minha opinião pessoal, então espero que você, amigo leitor, dê a sua opinião. Até a próxima.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

... (filosofia)

Companheiros blogueiros (que ainda se resumem a uns amigos meus), hoje vim para filosofar. E não filosofar sobre qualquer coisa... Mas sobre... Algo muito... Especial... O poder das reticências! Será que vocês já notaram o impacto que esse míseros pontinhos acrescentam a um texto?

Eu poderia, acrescentar, vírgulas arbitrariamente, e apesar, de que isso se, torna, um saco, aos poucos você, se acostumaria e acabaria, ignorando-as. Também poderia? colocar pontos? de interrogação? e tirando o fato? de que pareceria que? não estou muito? certo do que estou dizendo? vocês acabariam? entendendo também? E para uma ênfase! final! os queridos! pontos de! exclamação! que só não são! mais eficientes que! o caps lock! para passar a ideia! de urgência ou de grito! NÃO CONCORDAM?

Mas tentem com... as reticências... elas parecem que dão... aquela trava involuntária no seu... texto... como um momento pra você... parar... dar uma olhada pro céu... lá fora... ver como está um dia lindo... e você... aqui na frente do seu computador...

Mas falando sério, normalmente as reticências são usadas como um interruptor do fluxo de pensamento, podendo ter um quê sugestivo ou reflexivo ainda por cima. Por exemplo: "eu estava pensando em sair hoje...". Nesse feliz exemplo nosso "eu" imaginário está pensando em sair, mas aparentemente não tem certeza se quer isso mesmo, então parou para refletir sobre. Tudo isso deduzido graças aos três pontos. Se ele dissesse "eu estava pensando em sair hoje!" além de que ele pareceria um Neandertal falando desse jeito a frase não teria esse mesmo sentido.

As reticências tem um poder sobre nós maior do que podemos imaginar. Elas nos induzem a parar e refletir (coisa rara nos dias de hoje) sobre o assunto que se está lendo, ou sobre o que nós mesmo acabamos de falar (como no exemplo acima). Sim, talvez eu esteja me arriscando, mas eu diria que as reticências são o recurso linguístico em matéria de "sinal" mais eficaz no seu intuito, pois ela interage diretamente com o seu interlocutor, forçando-o a pensar. Um ponto final, uma vírgula, uma interrogação, nenhum desses tem essa capacidade de nos fazer pensar sobre o que se foi colocado, mas no máximo no que iremos colocar em seguida.

Então, queridos blogueiros, não menosprezem... esse poderoso instrumento de reflexão... que não só a linguagem escrita, mas também a falada, lhe fornecem... Usem e abusem de suas reticências (ok, usem com moderação, porque um texto cheio desses troços enche o saco). Mas, acima de tudo, saibam que ela tem o poder também de instigar a curiosidade humana. Duvida? Bom, então imagine a seguinte situação...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vamos a uma filosofia

Venho percebendo, querido leitor assíduo, que eu devo o estar desapontando. O título do meu blog é "filosofias do ricardo" (que eu não consigo tirar o minúsculo) e até agora você não viu nenhuma "filosofia" de fato. Tem visto apenas minha opinião em relação ao assunto "x" ou assunto "y" e deve estar se perguntando: "É isso? Esse blog só é mais um entre milhões que repete a mesma ladainha, mas com palavras diferentes?"

Bem, sinto que até o momento, esta resposta seria "sim". Mas eu farei isso mudar com esse post. De fato acabei postando mais pensamentos e não expressando meu jeito de filosofar. E como a originalidade desse blog deveriam ser as filosofias, façamo-as vir então. A partir de hoje todo post meu que contiver uma filosofia terá esse referente: (filosofia). A técnica que vou utilizar é quase o "fluxo de pensamento", onde falamos rapidamente e continuamente sobre um assunto sem nos importar com vírgulas ou outras coisas mais para enfatizar que tudo isto está vindo de uma vez em nosso cérebro e por isso estamos falando dessa maneira tão enfática quanto a de algum personagem de desenho animado que por maior que tenha sido o meu esforço eu não consegui lembrar quem era. Mas será mais um "encadeamento de ideias". Bem já me demorei demais aqui, vejam por si mesmos.

Pois bem leitor, eu vou ter que apelar. Não sabe você, que está apenas lendo isso, quanto tempo fiquei encarando o teclado do meu computador para imaginar um assunto pelo qual filosofar, e não me veio nada em mente. Então filosofarei exatamente sobre isso: o nada. É impressionante a frustração da palavra que não quer sair, ou da piada que não vem na mente. Você já leu várias piadas, já te contaram várias piadas, e mesmo assim, na hora que você mais precisa da piada, seu cérebro te abandona. Suas sinapses recusam-se a ir em frente, a vasculhar pela informação. E quanto mais você se esforça para lembrar, mais distante fica na memória. Mas ainda pior que o descontentamento da memória que não veio, é o da interrupção. Eu falo isso porque cometi um erro terrível: decidi escrever esse post com o msn ligado, e já fui interrompido 4 vezes ao menos. Nada pior do que quebrarem seu raciocínio, transformando-o em migalhas, ao ponto que este, tão destruído já se encontra, que você prefere esquecê-lo ou emendar qualquer outro assunto que lhe venha em mente, a ter de encarar a retomada do mesmo assunto e a reconstrução daquele farelo mental. Mas ainda há algo pior leitor, e este de fato é a pior coisa que pode vir a acontecer a um ser humano sadio: ser interrompido e esquecer o que está falando. A conjunção dos dois fatores aos quais eu mencionei. Você sente seu sangue ferver por dentro, porque aquela anedota tão propícia a situação, ou aquele comentário tão cabível, foi estrangulado pela fala, ou ação, ou acontecimento universal que o reduziu a poeira. Mas a uma poeira tão macerada que o simples sopro do vento da distração o fez perdê-la e, agora, o esforço para encontrá-la é tamanho dentro de si mesmo, que jamais aparato tecnológico construído pelo homem poderá medi-lo. E, ao passo que o esforço vai aumentando, vai aumentando a angústia de não se lembrar, e de deixar perder-se para sempre a anedota que traria o humor a conversa, ou o astuto comentário que o faria orgulhoso de sua própria sagacidade. Então, leitor desocupado e interessado, sempre que alguém ao menos insinuar interromper-lhe, interrompa-o você, na tentativa de salvar o seu comentário ou anedota, antes que seja tarde demais.