"Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou"
Esse é você, leitor, se quiser se tornar o mestre de um jogo de RPG. Recapitulando rapidamente: você sabe o que é o RPG, o que ele proporciona e como jogá-lo sendo um jogador. Mas você não sabe como jogá-lo sendo o mestre. E essa é uma das melhores partes.
Como muito bem colocado na música "Gita" de Raul Seixas, você como mestre de RPG é, literalmente, tudo. Ou melhor, você é tudo que não sejam os personagens dos demais jogadores e, apesar dessa parecer ser uma posição privilegiada, ela na verdade exige uma tremenda responsabilidade por parte do mestre. Antes de mais nada: seu objetivo não é ganhar o jogo. Sua palavra é a ordem, ao seu comando as forças do mundo lhe obedecem, você é o controlador de tudo: da história, dos NPCs (non-player character, lembra?), dos cenários, das missões, etc. Se você quisesse ganhar, bastaria dizer que os personagens morreram, e isto teria acontecido.
Então, qual é seu objetivo? Seu objetivo é tornar o jogo emocionante, divertido, desafiador, instigante. Para isso você deve propor desafios que seja possível para os heróis enfrentarem (aqui entram outros conceitos, como o de nível, de CD, etc., mas não vamos nos apressar), mas estes desafios, ao mesmo tempo, devem impôr dificuldades aos heróis, deixá-los em situações de risco. Afinal, ninguém gosta de jogar um jogo extremamente fácil, mas também fica maçante quando o jogo impõe muitas dificuldades. O RPG deve fluir, deve alternar entre momentos de piadas, de conflito, de clímax, de relaxamento, de estudos (sim, de estudos, mas não como vocês pensam), etc.
A responsabilidade do mestre, como eu já havia mencionado, é de longe a maior em todo o jogo. O mestre é encarregado de saber todas as regras do sistema que está sendo usado (ou ao menos grande parte delas), é encarregado de passar essas regras aos jogadores que não as conhecem e relembrá-las sempre que necessário, é encarregado de preparar a campanha antes de cada sessão (isto é, fazer um esboço do que acontecerá naquela sessão de jogo, qual missão será passada ou continuada, quais NPCs estarão presentes, quais desafios os heróis enfrentarão, etc.), é encarregado de, entre uma situação de conflito entre jogadores, agir como juiz, é encarregado de interpretar cada NPC e de descrever cada situação, de fazer as recapitulações, e ainda mais. Mas até agora esses são os seus objetivos. Agora vou dar umas dicas de como atingi-los.
Primeiro, e o mais importante de tudo no RPG: interpretação. Interprete cada NPC, mude a personalidade deles conforme eles devem ser, você será o anão bárbaro e o mago sábio e paciente, será o mestre jedi que não quer discípulos e será cada clone da guerra, será a testemunha apavorada que presenciou o assassinato e será o assassino frio e cruel. E, para tanto, você deve ser capaz de interpretar cada um desses personagens, mudando a voz, modelando sua intensidade, realizando variadas expressões facias, gesticulando, usando linguagem corporal, inventando tiques nervosos, manias, desejos, etc. O anão bárbaro deve ter uma voz intensa, que marque presença, mas seus comentários não devem ser muito inteligentes. O mestre jedi solitário deve ter um discurso que transmita sua solidão e como ele prefere viver com ela, pode ser por desconfiar das outras pessoas ou porque simplesmente pensa trabalhar melhor sozinho. O assassino poderia ser um psicopata mas ao estilo do coringa, que faça piadas cruéis e ria da dor dos outros, ou mais um professor Moriarty, inteligente e maligno, traçando teias de tramas de horror.
Segundo, e também importante: você deve entrar no mundo do RPG. Se alguém for atacado e iniciar a rolagem de dados (tudo no RPG, mais cedo ou mais tarde, depende de dados), não diga "você tomou 8 pontos de dano", diga "então o samurai desembainha sua katana e lhe golpeia diagonalmente no peito, fazendo um corte superficial que vai do ombro esquerdo até o quadril direito" - e aí você pede pro jogador retirar 8 pontos de vida de sua ficha. Você está no mundo, o que acontece fora dele relacionado a regras deve se evitar de ser mencionado. Descreva os lugares onde seus personagens entram: "vocês, após caminharem cegamente pela floresta negra, entram em uma enorme clareira, que possui em seu centro uma árvore tão antiga quanto os anos podem se lembrar e, ao redor dela, legiões de pequenas criaturas voadoras agitam-se freneticamente, estimuladas pela luz dourada do Sol", não diga: "vocês chegaram na árvore das criaturas voadoras". Seu objetivo é deixar o jogo divertido, e seu trabalho é criar o mundo diante dos olhos dos jogadores, se você não puder fazer isso, melhor participar como um jogador (o que não é desmérito nenhum, varia da personalidade da pessoa).
Terceiro: você deve dominar o extra-oficial do mundo. Isto quer dizer dominar as regras. Você deve saber a Classe de Armadura (espécie de "defesa") do monstro que seus personagens estão enfrentando, deve saber qual a Classe de Desafio (espécie de "chance que ele tem de conseguir") de algo que um personagem se propões a fazer, deve dominar cada etapa do combate e saber pelo menos boa parte das fichas de seus jogadores, para saber quais são suas perícias, seus talentos, suas armas, suas magias (caso sua campanha trabalhe com isso), etc. Isto é, você deve dominar o manual de regras do seus sistema e para isso, meu amigo, não tem jeito: leitura e prática. Mas para mestre iniciantes sempre é bom começar com sistemas simples, como 3D&T (defensores de Tóquio terceira edição) ou Primeira Aventura. Claro, sempre há uma outra opção: você pode criar suas próprias regras, assim como pode criar seus próprio mundo. Então você, provavelmente, terá o domínio sobre elas. O único porém é que isso é algo extremamente trabalhoso para quem quer desenvolver campanhas longas, portanto se você não está disposto a sofrer, leia um manual de regras.
Este post foi um simples esboço de todas as dificuldades e desafios pelas quais o mestre passa. Entretanto, posso dizer como mestre de RPG, no momento afastado, mas de longa data, que é increvelmente recompensador. Os jogadores jogam e interagem com o mundo que você criou e, afora a sensação de onipotência, onisciência e onipresença (hehe) você verá que está igual a todos eles, pois está se divertindo da mesma maneira, só que por um outro ponto de vista.
E agora que vocês já sabem o básico, devem estar se perguntando como aprofundar no assunto. Na verdade, o básico ainda não acabou, mas eu, a partir do próximo post, irei mostrar materiais, campanhas, sistemas de regras, que vocês podem usar. E, toda vez que eu achar propício, farei um post em seguida para esclarecer mais do básico. Boas rolagens de dados pra vocês! Até a próxima!
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Convicção (filosofia)
Não há nada melhor do que ouvir alguém falando com certeza do que diz. Embora alguns digam que a certeza é a qualidade dos tolos (e eu mesmo elaborei um post sobre a arte de duvidar), o que estou colocando aqui não diz respeito a convicção cega e absoluta, inexorável e estática. Diz respeito a uma convicção que é resultante de muito estudo, ou de muitas experiências acumuladas, fazendo com que a informação transmitida seja passada com segurança e confiança.
A convicção que trazem os anos não deve ser confundidas com a certeza do acontecimento dos eventos, mas sim da grande possibilidade de occorência devido a observação metódica e casual dos mesmos, o que leva àquele que transmite a mensagem a falar com segurança "pela aparência do céu, choverá", ou "pelo estado do seu livro, você não costuma lê-lo muito". Pode parecer uma habilidade supérflua ou trivial, mas é a partir dela que se fazem grandes deduções do estilo de vida de uma pessoa, ou até mesmo de sua personalidade. Tudo baseando-se no costume de observar detalhes infímos, ou às vezes tão extravagantes que acabam passando sem ser notados. A pessoa falará convicta daquilo que diz, podendo estar errada, mas sua certeza terá um fundamento lógico ou, em último caso (mas não menos importante), instintivo.
Derivada dessa certeza da experiência surgem os grandes mestres de leitura corporal, de atitudes e de comportamentos. Para quem já leu livros de Sir Conan Doyle, Sherlock Holmes costumava fazer deduções incríveis principalmente de atitudes e comportamentos, a partir de detalhes insignificantes, ou às vezes não tão insignificantes, mas que simplesmente eram ignorados pelas pessoas ao redor. E sempre possuía a convicção certeira do que dizia, pois tinha uma lógica por trás daquilo que falava.
O outro tipo de convicção é tão valioso quanto este primeiro, e muitas vezes eles veem associados: a convicção vinda do estudo. Para aquele estudioso que leu muitos livros, domina incrivelmente bem uma área, poucas seriam as perguntas que o deixariam confuso ou desnorteado, sendo ele capaz de responder aos mais diversos questionamentos sobre o assunto de maneira certa e sempre mostrando o encadeamento de seu raciocínio. Esta é uma habilidade valiosa, pois muitas vezes os estudiosos não procuram a base daquilo em que acreditam, e possuem um conhecimento o qual eles desconhecem a origem, e por esse motivo ele é defasado.
Produto dessa convicção teremos os grandes oradores, professores e representantes, pois a fala se torna muito mais fluida quando se tem convicção daquilo que se diz. Quando se é capaz de defender sua ideia com embasamento não só teórico, mas também experimental, e quando se é capaz de passar esse conhecimento adiante sem o resquício da incerteza, mas, como já colocado, esse conhecimento sempre será passível de ser transformado ao passar do tempo, pois ele é maleável aos fatos.
No outro extremo dessas duas linhas estão as pessoas que falam "anhh... enhh... Eu imagino que seja isso, mas não tenho certeza" ou aquelas que exprimem sua opinião sem qualquer certeza ou embasamento do que se diz, mas sem se preocupar com as consequências de tal ato desde que ganhem o debate ou a discussão, ou passem a informação adiante.
Por isso é fundamental nos associarmos a pessoas convictas (e maleáveis), que estarão sempre dispostas a passar seu conhecimento e ensinamentos adiante, e devemos nos esforçar para nos tornamos próximos dessas pessoas, pois assim não viveremos no submundo da incerteza e da hesitação, onde não podemos confiar em nossos próprios conhecimentos. Por mais clichê que possa parecer, é evidente que a busca do conhecimento e sa sabedoria é fundamental.
A convicção que trazem os anos não deve ser confundidas com a certeza do acontecimento dos eventos, mas sim da grande possibilidade de occorência devido a observação metódica e casual dos mesmos, o que leva àquele que transmite a mensagem a falar com segurança "pela aparência do céu, choverá", ou "pelo estado do seu livro, você não costuma lê-lo muito". Pode parecer uma habilidade supérflua ou trivial, mas é a partir dela que se fazem grandes deduções do estilo de vida de uma pessoa, ou até mesmo de sua personalidade. Tudo baseando-se no costume de observar detalhes infímos, ou às vezes tão extravagantes que acabam passando sem ser notados. A pessoa falará convicta daquilo que diz, podendo estar errada, mas sua certeza terá um fundamento lógico ou, em último caso (mas não menos importante), instintivo.
Derivada dessa certeza da experiência surgem os grandes mestres de leitura corporal, de atitudes e de comportamentos. Para quem já leu livros de Sir Conan Doyle, Sherlock Holmes costumava fazer deduções incríveis principalmente de atitudes e comportamentos, a partir de detalhes insignificantes, ou às vezes não tão insignificantes, mas que simplesmente eram ignorados pelas pessoas ao redor. E sempre possuía a convicção certeira do que dizia, pois tinha uma lógica por trás daquilo que falava.
O outro tipo de convicção é tão valioso quanto este primeiro, e muitas vezes eles veem associados: a convicção vinda do estudo. Para aquele estudioso que leu muitos livros, domina incrivelmente bem uma área, poucas seriam as perguntas que o deixariam confuso ou desnorteado, sendo ele capaz de responder aos mais diversos questionamentos sobre o assunto de maneira certa e sempre mostrando o encadeamento de seu raciocínio. Esta é uma habilidade valiosa, pois muitas vezes os estudiosos não procuram a base daquilo em que acreditam, e possuem um conhecimento o qual eles desconhecem a origem, e por esse motivo ele é defasado.
Produto dessa convicção teremos os grandes oradores, professores e representantes, pois a fala se torna muito mais fluida quando se tem convicção daquilo que se diz. Quando se é capaz de defender sua ideia com embasamento não só teórico, mas também experimental, e quando se é capaz de passar esse conhecimento adiante sem o resquício da incerteza, mas, como já colocado, esse conhecimento sempre será passível de ser transformado ao passar do tempo, pois ele é maleável aos fatos.
No outro extremo dessas duas linhas estão as pessoas que falam "anhh... enhh... Eu imagino que seja isso, mas não tenho certeza" ou aquelas que exprimem sua opinião sem qualquer certeza ou embasamento do que se diz, mas sem se preocupar com as consequências de tal ato desde que ganhem o debate ou a discussão, ou passem a informação adiante.
Por isso é fundamental nos associarmos a pessoas convictas (e maleáveis), que estarão sempre dispostas a passar seu conhecimento e ensinamentos adiante, e devemos nos esforçar para nos tornamos próximos dessas pessoas, pois assim não viveremos no submundo da incerteza e da hesitação, onde não podemos confiar em nossos próprios conhecimentos. Por mais clichê que possa parecer, é evidente que a busca do conhecimento e sa sabedoria é fundamental.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
A supremacia da visão
Diga-me leitor, se for pedido a você que descreva um lugar qualquer, como você o faria? Suponhamos a sua casa (e aqui estarei relatando sobre uma casa fictícia). Você diria: "é uma casa grande, espaçosa, com 3 cômodos para dormir, 3 banheiros uma sala de estar, um escritório, um lavabo e uma cozinha. As paredes da sala são cor de oliva, bem como as do cômodos e as do escritório. Os demais locais possuem azulejos nas parede. Temos muitos móveis da época vitoriana e alguns quadros de arte moderna. Ademais temos uma pequena biblioteca no escritório, um forno de 6 bocas na cozinha, etc." E assim a descrição continuaria até que cada minúncia tenha sido analisada. Mas será mesmo que foi?
Espero que já tenha percebido leitor, que toda a informação que precisou para me descrever tal local obteve com o sentido da visão. E é exatamente isso que estou abordando nesse post. Nós temos o hábito de nos valer da visão como a forma mais segura e concreta de se abstrair o mundo. Mas o que lhe impediu de, ao invés de me dizer a cor da sua parede, não me dizer qual era sua textura? "Ligeiramente áspera" você poderia me dizer. E o que me diz de descrever sua cozinha como "um local em que sempre pela manhã se sente o cheiro de pão fresquinho, pelo dia o de almoço caprichado e pela noite o de uma janta saborosa"? Poderia me dizer que, ao acordar, é possível ouvir do seu quarto o som dos pássaros cantando e que pela noite é inevitável ouvir o som da madeira rangendo. Talvez o paladar se limite nessa minha abordagem dos sentidos, mas você poderia utilizá-lo para descrever o gosto que tem a água que passa pelo velho bebedouro de argila que vocês possuem, ou a aquela que você bebe da torneira.
Mas espero que você perceba que o mundo é bem mais vasto do que somente um sentido pode nos dizer. A visão de fato é algo magnífico e encantador, mas ela não é superior a nossos outros sentidos de forma alguma, pois cada um deles é uma forma de se compreender o mundo, e o único motivo pelo qual a visão deve ter se sobreposto aos outros é o fato dela ser mais impessoal. Certamente todos compreendem quando alguém se remete a um círculo, ou a algo de cor vermelha, mas tentem ver se há a mesma concordância entre essas pessoas quando se trata de um "perfume adocicado" ou de um "som suave". É complicado tentarmos compartilhar nossas experiências pelos outros sentidos, porque elas trazem consigo mais subjetividade.
O que não quer dizer que não valha a pena fazê-lo. Assim como a visão nos propicia um amplo campo de compreensão do mundo, certamente os outros sentidos podem nos propiciar também. Basta tentarmos o esforço. Basta ao invés de admirar a beleza de uma flor pela suas pétalas, admirá-la pelo seu aroma, ao invés de gostar de maçãs por estarem bem vermelhas, gostar por serem bem suculentas, ao invés de elogiar seu cachorro pela sua beleza, elogiá-lo pelo toque macio de seus pêlos ou por suas lambidas amigáveis, ao invés de apreciar uma cachoeira por sua grandeza, apreciá-la pelo poderoso som que a água produz ao cair de grandes altitudes, revelando sua marcante presença.
O mundo não é só o que nossos olhos podem ver, e certamente vale a pena descobrir o que há além disso.
Espero que já tenha percebido leitor, que toda a informação que precisou para me descrever tal local obteve com o sentido da visão. E é exatamente isso que estou abordando nesse post. Nós temos o hábito de nos valer da visão como a forma mais segura e concreta de se abstrair o mundo. Mas o que lhe impediu de, ao invés de me dizer a cor da sua parede, não me dizer qual era sua textura? "Ligeiramente áspera" você poderia me dizer. E o que me diz de descrever sua cozinha como "um local em que sempre pela manhã se sente o cheiro de pão fresquinho, pelo dia o de almoço caprichado e pela noite o de uma janta saborosa"? Poderia me dizer que, ao acordar, é possível ouvir do seu quarto o som dos pássaros cantando e que pela noite é inevitável ouvir o som da madeira rangendo. Talvez o paladar se limite nessa minha abordagem dos sentidos, mas você poderia utilizá-lo para descrever o gosto que tem a água que passa pelo velho bebedouro de argila que vocês possuem, ou a aquela que você bebe da torneira.
Mas espero que você perceba que o mundo é bem mais vasto do que somente um sentido pode nos dizer. A visão de fato é algo magnífico e encantador, mas ela não é superior a nossos outros sentidos de forma alguma, pois cada um deles é uma forma de se compreender o mundo, e o único motivo pelo qual a visão deve ter se sobreposto aos outros é o fato dela ser mais impessoal. Certamente todos compreendem quando alguém se remete a um círculo, ou a algo de cor vermelha, mas tentem ver se há a mesma concordância entre essas pessoas quando se trata de um "perfume adocicado" ou de um "som suave". É complicado tentarmos compartilhar nossas experiências pelos outros sentidos, porque elas trazem consigo mais subjetividade.
O que não quer dizer que não valha a pena fazê-lo. Assim como a visão nos propicia um amplo campo de compreensão do mundo, certamente os outros sentidos podem nos propiciar também. Basta tentarmos o esforço. Basta ao invés de admirar a beleza de uma flor pela suas pétalas, admirá-la pelo seu aroma, ao invés de gostar de maçãs por estarem bem vermelhas, gostar por serem bem suculentas, ao invés de elogiar seu cachorro pela sua beleza, elogiá-lo pelo toque macio de seus pêlos ou por suas lambidas amigáveis, ao invés de apreciar uma cachoeira por sua grandeza, apreciá-la pelo poderoso som que a água produz ao cair de grandes altitudes, revelando sua marcante presença.
O mundo não é só o que nossos olhos podem ver, e certamente vale a pena descobrir o que há além disso.
sábado, 15 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Dúvida (filosofia)
A arte de duvidar. Será que devemos levá-la ao extremo? Ou será que não há "extremo"? Será que somente há o limite máximo que nossa mente pode duvidar antes de cair em uma imensa tautologia metafísica?
Entenda leitor, eu imagino que você já tenha duvidado da sua existência. Antes de isso se tornar tão comum e difundido pelo filme Matrix, com Neo, você possivelmente já tinha se perguntado ou ao menos se perguntaria: será que tudo a minha volta é real? Será que eu não sou apenas a projeção mental de um outro ser? Ou os dados de uma programa de computador de Aliens? Como posso saber que "eu" realmente sou "eu"?
É uma excelente pergunta, cuja resposta até agora não encontrei nenhuma convincente. Nós podemos apenas especular sobre sermos ou não reais ou estarmos ou não aqui. Mas você já duvidou de coisas mais óbvias (se é que você nã considera sua existência algo óbvio). Será que a chuva realmente molha? Será que a gravidade é uma distorção da malha espaço-temporal que faz com que a matéria "afunde" nela? Será que o oxigênio é o que realmente nos mantém vivos? Será que o Sol realmente funciona à fusão de hidrogênio? Será que eu posso acreditar na ciência? Ou na religião? E na filosofia?
É de enlouquecer não é mesmo? Alguém pode dizer que é tolo aquele quem aceita tudo sem questionar, mas é estúpido aquele que questiona tudo. Será mesmo? Será que esta não é uma colocação duvidosa? Questionável? E essa que eu fiz agora sobre a primeira ser uma colocação duvidosa? Será que também não o é? E esta última?
Imagino que agora vocês tenham percebido o infinito ciclo de regressão para qual é levado todo aquele que se questiona demais. Não considero se questionar demais um problema, considero se questionar demais da maneira errada um problema. Não há mal algum em questionar se você é você, se o mundo é o mundo e se tudo funciona como dizem para você que funciona. Mas você não pode extremizar o pensamento e duvidar de tudo que a ciência fala, pois a simples arte de duvidar é ignorante. A dúvida é efeito da refexão e não sua causa, e se você transforma a dúvida em causa você não tem nada além de um imbecil que questiona tudo sem apontar saída ou solução.
Platão questionava o mundo. Mas ele havia refletido antes, pois para ele o mundo real era o das ideias, e este era apenas um véu que estava por cima deste outro. Descartes duvidou de sua existência, mas para concluir que ele existia devido a sua dúvida, ao seu pensamento. E assim foram muitos outros, pois a dúvida vem da reflexão, e da dúvida vem o conhecimento.
Portanto leitor, não se importe em duvidar de tudo, desde de que você tenha tido motivos para tal. Não se importe em lutar contra o "óbvio", porque o "óbvio" é algo tão sólido quanto o é um castelo de areia na praia em dia de tempestade. Agora, se pergunte leitor: você tem duvidado o suficiente? Eu duvido.
Entenda leitor, eu imagino que você já tenha duvidado da sua existência. Antes de isso se tornar tão comum e difundido pelo filme Matrix, com Neo, você possivelmente já tinha se perguntado ou ao menos se perguntaria: será que tudo a minha volta é real? Será que eu não sou apenas a projeção mental de um outro ser? Ou os dados de uma programa de computador de Aliens? Como posso saber que "eu" realmente sou "eu"?
É uma excelente pergunta, cuja resposta até agora não encontrei nenhuma convincente. Nós podemos apenas especular sobre sermos ou não reais ou estarmos ou não aqui. Mas você já duvidou de coisas mais óbvias (se é que você nã considera sua existência algo óbvio). Será que a chuva realmente molha? Será que a gravidade é uma distorção da malha espaço-temporal que faz com que a matéria "afunde" nela? Será que o oxigênio é o que realmente nos mantém vivos? Será que o Sol realmente funciona à fusão de hidrogênio? Será que eu posso acreditar na ciência? Ou na religião? E na filosofia?
É de enlouquecer não é mesmo? Alguém pode dizer que é tolo aquele quem aceita tudo sem questionar, mas é estúpido aquele que questiona tudo. Será mesmo? Será que esta não é uma colocação duvidosa? Questionável? E essa que eu fiz agora sobre a primeira ser uma colocação duvidosa? Será que também não o é? E esta última?
Imagino que agora vocês tenham percebido o infinito ciclo de regressão para qual é levado todo aquele que se questiona demais. Não considero se questionar demais um problema, considero se questionar demais da maneira errada um problema. Não há mal algum em questionar se você é você, se o mundo é o mundo e se tudo funciona como dizem para você que funciona. Mas você não pode extremizar o pensamento e duvidar de tudo que a ciência fala, pois a simples arte de duvidar é ignorante. A dúvida é efeito da refexão e não sua causa, e se você transforma a dúvida em causa você não tem nada além de um imbecil que questiona tudo sem apontar saída ou solução.
Platão questionava o mundo. Mas ele havia refletido antes, pois para ele o mundo real era o das ideias, e este era apenas um véu que estava por cima deste outro. Descartes duvidou de sua existência, mas para concluir que ele existia devido a sua dúvida, ao seu pensamento. E assim foram muitos outros, pois a dúvida vem da reflexão, e da dúvida vem o conhecimento.
Portanto leitor, não se importe em duvidar de tudo, desde de que você tenha tido motivos para tal. Não se importe em lutar contra o "óbvio", porque o "óbvio" é algo tão sólido quanto o é um castelo de areia na praia em dia de tempestade. Agora, se pergunte leitor: você tem duvidado o suficiente? Eu duvido.
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