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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Redirecionando

Novo blog, nova proposta, novo estilo:

www.acidadesubmersa.blogspot.com.br

Tirando o pó

O blog está parado há mais de 7 meses.

É interessante que, quando temos muitas coisas para fazer, deixamos tudo que consideramos secundário de lado. Talvez o ser humano goste de se concentrar no que ele considera de fato importante. Bah. Mal voltei pro blog e já estou recomeçando minhas elucubrações... Eu tratava de diversas seções aqui nesse blog, algumas que eu mantinha com muito carinho e outras nem tanto, várias que serviram para mudar a dinâmica do blog às vezes, e outras que foram um certo fracasso.

Resolvi então mudar a cara do blog. Não foi uma ideia ruim. Mudança do usual é bom, muitas vezes. Mas faltou investimento no resultado final. Eu vim anunciar então o fechamento deste blog. Não, eu não desisti. Aliás, mesmo que eu venha a desistir certo dia, eu sempre poderei voltar, a menos que eu exclua o blog, coisa que não pretendo fazer.

Estou abandonando este porque vou começar um novo blog. Por que começar um novo blog? Porque este blog tem apenas parte da minha cara, de verdade. Gostaria de um em que eu pudesse tratar de outros assuntos, mais conectados a atualidades e dia-a-dia do que são as minhas divagações. Mas não quero começar isso nesse blog, pois isto seria poluir todo o trabalho que comecei aqui. Como eu acho que já disse em alguma postagem anterior em algum momento, eu gosto do trabalho que fiz nesse blog. Gosto mesmo. Apesar de que diversas postagens eu acho que modificaria hoje, a maioria expressava de fato o que eu pensava naquele momento em que eu pensava.

Eu penso em um blog diferente. É provável que ele no começo ainda precise de testes. Posso usar o pouco que aprendi com esse para evitar cometer os mesmo erros, mas também pretendo variar meu estilo de escrita. Sei que meu estilo atual é algo como "uma documentário sobre desertos na tv cultura". Perdoem-me por isso. Como eu já disse, mudanças são importantes. Vou começar a trabalhar no protótipo do novo blog e, quando estiver mais ou menos pronto, mando o link para cá.

Desejem-me sorte.

domingo, 6 de novembro de 2011

Achievements

As pessoas hoje vivem a vida colecionando "achievements".

Traduzindo de maneira meio irregular, "achievement" significa conquista, façanha, ou mesmo "feito heróico". É um termo muito usado em jogos de RPG online ou de videogame. Toda vez que seu personagem realiza alguma coisa nova ou espetacular ele pode receber um achievement - seja isso salvar todos os aldeões do perigo iminente sem usar qualquer arma ou matar o rei de maneira particularmente sorrateira - e ainda ganhar reconhecimento por isso.

Qual a relação disso com a vida real? Bom, muita, de certo. É comum ver as pessoas buscando fazer algo pelo simples fato de ser completamente inédito para elas - ir em uma montanha russa, pular de bungee jump ou mesmo comer em um boteco sujo - e não necessariamente porque é divertido ou emocionante, mas simplesmente porque ainda não foi feito.

É bem verdade que várias ideias novas e instigantes costumam chamar mais a atenção, mas é curioso como há um repúdio as ideias velhas. Comer no mesmo restaurante é entediante, jogar monopoly com a família toda sexta a noite é cansativo, ouvir as mesmas 150 músicas gravadas na memória do ipod já encheu. Será mesmo? É uma comparação relativamente estúpida, mas eu não costumo rever um filme que eu já assisti (a menos que não tenha nada melhor pra fazer). Entretanto, comprei Batman: O Cavaleiro das Trevas - que eu já havia visto - para assistir de novo. Foi ótimo. Havia muita coisa que eu não tinha pego da primeira vez que vi o filme, e ficou bem melhor na segunda.

A comparação acima é relativamente estúpida porque eu só repeti o processo uma vez, ao contrário de, por exemplo, assistir batman toda quarta-feira a noite. Mas há coisas que eu repito com fidelidade canina. Por exemplo: assistir Hércules, o filme da disney. Sempre que eu vejo que está passando, eu assisto novamente. Eu conheço praticamente todas as piadas, sei de cor as músicas e conheço a história do começo ao fim. E isso não me impede de ver de novo. Quando vou no McDonalds vez ou outra eu experimento algum sanduíche novo, mas eu diria que uma segura maioria das vezes eu vou de BigMac ou McCheddar. Por que? Porque me agrada. Não que os outros sanduíches sejam ruins, mas eu gosto do sabor desses dois em especial.

Eu não discordo de pessoas que estejam buscando novas experiências. Eu só não vejo sentido em buscá-la só porque é nova. Se, eventualmente, te chamarem para ir a um parque de diversão para curtir uma montanha russa, me avise quando que eu vou também. Mas ficar desesperado para ir a um parque só porque nunca foi em uma montanha russa? Isso é paranóia. Existem infinitas experiências para se viver ao longo da vida, e você provavelmente morrerá sem ter experimentado todas elas. Revisitar uma velha praça, reler um antigo livro, caminhar pelo mesmo caminho ainda são experiências válidas. Repetir a dose não é necessariamente ruim, e mudá-la não é necessariamente bom.

Na minha concepção, a vida não se trata de já ter ido pra disney, já ter perdido a consciência de tanto beber em uma festa, ou ter quebrado o braço quando era criança. A vida se trata de aproveitar as oportunidades e, algumas vezes, tomar as iniciativas. Não fazer algo porque é novo, mas fazer porque é bom.

Achievement unlocked - To finish a post in time predicted

sábado, 20 de agosto de 2011

Heróis

A humanidade precisa de símbolos. Seria até mais apropriado dizer: a humanidade desenvolve seus símbolos. Com isso eu quero dizer que uma forma interessante de comunicação social que temos é a referência mútua a símbolos familiares que só tem significado para as pessoas que atribuíram valores a esses símbolos.

Um exemplos simples seria o comandante. Um comandante pode se tratar de um posto efetivo nas forças armadas, e é um cargo que traz consigo muitas responsabilidades. Ao se referir a alguém como "comandante" você deixa claro que toma a pessoa em alta estima, pois o símbolo do comandante, como homem de poder e de tomada de decisões, fica claro para todos (semelhante aos homens influentes que eram tratados por "coronéis" após a Proclamação da República).

A figura do comandante.

Podemos dizer com alguma segurança que um símbolo não existe por si só, mas que só demonstra seu real valor nas interações sociais. Existe até um nome para isso: interacionismo simbólico. Esta é
"uma abordagem sociológica das relações humanas que considera de suma importância a influência, na interação social, dos significados bem particulares trazidos pelo indivíduo à interação, assim como os significados bastante particulares que ele obtém a partir dessa interação sob sua interpretação pessoal."
- Wikipedia é nóis
Simplificando, uma interação social não é importante somente pelo que é dito ou feito, mas por como a outra parte participante da interação entende aquilo que é dito ou feito.

Cada um de nós tem uma histórico de significados e valores que desenvolvemos e modificamos ao longo de nossas vidas. Cada um de nós tem símbolos. Salvaguardando contextos mais maliciosos, fazer referência a um dragão costuma ser uma exemplificação de força e poder. Conhecidos pela mais diversas culturas, essas criaturas bestiais já tomaram muitas formas, mas todas tem em comum a capacidade de destruição em massa, ainda que possa agir como uma besta irracional ou como um ser de grande sabedoria. Portanto, eu arriscaria que dragões costumam ser um dos símbolos mais invocativos que permeiam a cultura humana.

Não é a toa que histórias com essas criaturas tornam-se tão populares e atraentes.

Dragão: um dos símbolos máximos de poder.

Voltando ao foco principal, eu comecei dizendo que a humanidade precisa de símbolos, e depois me auto-corrigi. Mas as sentenças não são mutuamente exclusivas. É verdade, a humanidade desenvolve seus símbolos. Porém, assim como nós os desenvolvemos, acabamos por nos tornar dependentes deles.

E então temos o herói. Seria tolice desconsiderar a importância fundamental que os heróis tem em nossa sociedade. Não me refiro a instrumentos de propaganda ou entreterimento simples e trivial. Com efeito, estas duas últimas funções derivam do verdadeiro papel que o herói representa em nossa sociedade: a identificação pessoal. Heróis (e aqui eu incluo os bem conhecidos "super-heróis") são símbolos supremos da necessidade humana de possuir um modelo a ser seguido. Nós gostamos de heróis quando nos identificamos com eles, quando vemos neles um espelho utopizado de nossos ideais, gostos e vontades. Gostamos porque eles nos inspiram.

Um homem quer atuar como um herói. Quer sentir a importância de seus atos e de suas atitudes, ainda que tragam consigo difíceis decisões. Na mitologia grega, heróis eram seres semi-divinos, filhos de deuses e humanos, capazes de façanhas épicas. Enfrentavam mosntros (incluindo dragões) e os derrotavam mediante a combinação de suas capacidades antinaturais e de sua natureza humana. É justamente dessa mistura complexa que nasce a identificação.

Hércules, filho de Zeus.

Notem que o homem comum não possui as capacidades antinaturais e, portanto, não pode atuar como faria o herói. Porém, ao conservar a natureza humana, o homem pode se identificar e, de modo análogo, ser um herói na sua esfera de atuação. É por essa razão que os ideias e valores de um herói são tão importantes para o sucesso do mesmo. Só assim seremos capazes de nos identificar com ele.

Por fim, o herói é também um símbolo para interações sociais. Talvez um dos mais importantes. Quando vemos um outro alguém capaz de agir e se portar como um herói, esta pessoa, para nós, torna-se um herói. Lembre-se que um símbolo é tão poderoso quanto o significado que atribuímos a ele. Portanto, não importa se um indivíduo é incapaz de derrubar prédios, conter desastres naturais ou combater aberrações titânicas. Se ele é capaz de mostrar seu valor e significado, capaz de acreditar e seguir seus ideais, esta pessoa é tão digna de ser chamada de herói quanto um Hércules, ou Ulisses, ou Superman.

Portanto, heróis existem. Só precisamos saber reconhecê-los.

Fontes principais:

Interacionismo simbólico

Herói

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pontas soltas

Quando se começa a pensar em um projeto, em um trabalho, a especulação é livre. Imagine, tente, prossiga, falhe. Falhar não é a pior parte, apesar de não ser gratificante. A pior parte vem quando se obtêm sucesso.

Por que?

Porque, a partir de agora, você está limitado. Seu sucesso te força a seguir um caminho, uma trilha de investigação, um rumo. A partir do momento que você tem alguma ideia do que deve ser feito, você não pode mais arriscar livremente. Você deve seguir conforme o planejado, pensar dentro daquilo que você desenvolveu.

Imagine um escritor que está a ponto de começar um livro. A folha em branco a sua frente lhe permite infinitas possibilidades. Até o momento em que ele começar a escrever sua história. Talvez um conto de suspense, ou um conto de ficção científica. Uma perseguição policial, uma história de cowboys. Limitado, limitado, limitado. Ele pode voltar atrás. Pode apagar, pode destruir. Ele terá de volta então todas as suas infinitas possibilidades. Mas, a partir do momento que recomeçar a colocar as palavras no papel, as barreiras lógicas e limitantes o impedirão de ir além.

Não se coloca tanques de guerra em uma história de cowboys. Não se coloca magos em uma história de ficção científica. Não se coloca monstros num romance policial. Ou se coloca? Ainda que queiramos extrapolar, pensar fora da caixa, arriscar alguma tentativa insólita, ainda estaremos limitados. Pois, a partir desse momento teremos de lidar com a lógica misturada, um tanto inconsistente, da nossa combinação improvável.

E é nesse momento que se mostram os gênios.

Uma história, um projeto, um modo de pensar e desenvolver não consiste somente com o que inicialmente extrapolamos, mas com o que viemos a pensar em seguida. Quando a mente está livre, quando estamos face a face com o terrível paradoxo de nos limitar mentalmente ou continuarmos fascinados com as possibilidades, é a partir desse momento que estaremos comprometidos. Comprometidos com a coerência, com o sentido, com a continuidade. No mundo fantástico das ideias, tudo é possível e tudo é considerado. Todas as ideias existem e se fortalecem, alimentadas pelo consciente inconsciente humano.

Pois bem, estou me demorando, o que a de genial em manter a continuidade? É simples. Ao pensarmos algo, ao elaborarmos uma ideia, ela vem aberta, pura, com suas inúmeras facetas e características a serem exploradas, testadas, verificadas. E então? E então vem o sucesso, e nós progredimos com a ideia, agora presos a ela inevitavelmente pela nossa necessidade de desenvolvê-la, verificar seu alcance, sua magnificência. E, a partir de então, devemos elaborá-la, refiná-la, torná-la física por que não dizer? Retirá-la do plano imaginativo e trazê-la viva, pulsante, para cá. Para o mundo real.

Mas, como já dito, isso a define. E, com uma ideia definida, pouco podemos fazer a não ser desenvolvê-la do modo mais coerente e sensato que consigamos inteligir.

É nesse momento crucial de elaboração, de desenvolvimento, que devemos tomar cuidado. A cada passo novo que damos a fim de moldar nossa ideia, devemos nos atentar a desvios, a pontas soltas, a vazios lógicos injustificáveis por si mesmos. A inconsistência é a morte da ideia. Como mantê-la viva? Amarrando todas as pontas.

A partir do momento que nos comprometemos com nosso imaginário, do momento em que definimos o rumo a ser tomado, estamos comprometidos com as possibilidades. Um filme de cowboy pode ter tanques de guerra, mas como explicá-los? O que tornará sensato a presença de tanques de guerra em um filme de cowboy? Conclusivamente poucas coisas. Entretanto, se quisermos manter possibilidades a primeira vista absurdas válidas, devemos mantê-las firmemente conectadas. Devemos dar razão a aquilo que foi pensado. Devemos um sentido.

Por isso, no momento crucial, na hora em que devemos definir como a ideia sairá do papel, nós devemos nos comprometer. Nos comprometer em articular o todo, em amarrar as pontas soltas. Uma ideia viva, pulsante, pode vir para cá em qualquer forma. Contudo, só será mantida aqui com o correto delineamento, com a estratégia mais eficiente de explorar suas possibilidades. E é nesse quesito que nós devemos nos esforçar. Só assim seremos gênios.

domingo, 24 de julho de 2011

Mais do mesmo

O blog voltou. E bem diferente.

Para começar, acho que eu estava sendo muito pretensioso com o título do blog. "Filosofias" parecia inapropriado. A bem da verdade, a maior parte das minhas postagens tratava-se da minha opinião pessoal. Uma filosofia deveria retratar um longo desenvolvimento de um raciocínio lógico argumentativo, embasado em premissas passadas assumidas de construções anteriores feitas por si mesmo ou por outrem. Tentando dizer sem firulas: a filosofia é mais refinada.

Agora o porquê de eu ter aderido a mudança: meu plano inicial era postar coisas com base nos raciocínios de grandes filosófos, e só com base nisso. O problema é que a leitura do material desses filósofos é algo que toma tento e exige memória (coisa que eu, infelizmente, não tenho). Para que não ficasse para todo sempre estagnado, eu resolvi reformular e aceitar de uma vez o que meu blog já era de fato: um blog de opiniões. Não que isso tire o mérito de posts anteriores. Opiniões não só podem como comumente devem vir embasadas, seja em raciocínio lógico, seja em experiência de vida, seja em bom senso.

Portanto, a partir de agora, estarei dando opiniões. Sujeitas a julgamento, críticas, análises, rejeições, etc. Tudo que fazemos no dia-a-dia quando ouvimos alguém falar.

Quanto as outras séries do blog, direi quais pretendo manter:
  • Frase marcante
  • Imagem (essa seção do blog é fundamental)
  • Sugestão de jogo
  • Música Inesquecível
  • Em defesa do RPG (sim, vocês não se verão livres dessa)
  • Tlec tlec tlec (na medida do possível)
Qualquer outra seção do blog está oficialmente cancelada. A antiga marcação "filosofia" virá agora como "opinião".

Agora quantos aos textos e microtextos. A partir de agora tentarei ser mais comprometido com o que eu postar, no sentido de pensar bem, elaborar bonitinho, buscar referências (e não entendam isso só como referências acadêmicas, podem ser gibis, livros, revistas, etc.) e pensar em alguma estratégia legal de formatação. Acontece que isso demanda tempo. Ou seja, minha frequência de posts, não só pela faculdade e outras coisas que faço, diminuirá. Os microtextos eu pretendo manter como estratégia pra fazer um breve comentário, algo interessante que eu acho que valhe a pena tratar. Só.

Quanto a posts estranhos e randômicos, é provável que eles continuem. Ninguém consegue seguir a mesma linha sem pisar um pouco fora dela.

That's it.

sábado, 2 de abril de 2011

Morte.

Venho anunciar a morte oficial desse blog.

Antes que alguém fale "ahá, filho da mãe, sabia que você iria desistir". Não é isso cabeção. Esse estilo de blog será abandonado. Eu tive uma ideia e pretendo segui-la.

Novidades em um futuro breve (ou não).

segunda-feira, 14 de março de 2011

Sugestão de jogo

(Ressuscitando um dos estilos de postagem desse blog)

O jogo que vou passar se chama Doodle Devil. Basicamente você combina dois elementos para tentar formar um novo e, para cada novo elemento formado, você forma mais e mais até completar todos. Os elementos são separados em categorias que precisam ser liberadas. É bem autoexplicativo, vocês verão. E, para mostrar como Steve Jobs está dominando o mundo, tem também como aplicativo para Ipods.

Jogo - Doodle Devil
Link - http://armorgames.com/play/7384/doodle-devil

Enjoy.

sábado, 12 de março de 2011

Bum-ba-da-bum-bum-bum

Caminha. Bum-ba-da.
Estuda. Bum-ba-da.
Cresce, vive, aparece. Bum-ba-da-bum-bum-bum.
Desestresse. Bum-ba-da.

Faça, refaça, caminha contra a massa (bum-ba-da), está muda? Estuda! (bum-ba-da), espere, recupere, não se altere (bum-ba-da-bum-bum-bum). Esqueceu? Se fo...sse eu (bum-ba-da).

Ataque! (bum-da-da), flanqueie! Golpeie! (bum-ba-da), defende! Compreende! Não vê que o perigo se estende?! (bum-ba-da-bum-bum-bum). Morreu?

(bum-ba-da)

Atire! Inspire! Conspire! Expire! (bum-ba-da). Não pare, repare, compare, dispare! (bum-ba-da-bum-bum-bum).

Cansou? (bum-ba-da)

Baboseira. Besteira. (bum-ba-da) Apenas vá! Ou não vá! Ou se vá! Fique pra lá! (bum-ba-da-bum-bum-bum). Acordou? Despertou? Se tocou? (bum-ba-da)

A ficha caiu? A esperança sumiu? O elo partiu? (bum-ba-da) Não?! Então siga! Prossiga! (bum-ba-da). Cresça! Amadureça! Como?! Obedeça!

(bum-ba-da-bum-bum-bum)

Esquecer (parte 2 de 4)

Alguém muito importante se foi. Para sempre.

Partiu e se perdeu no seu imaginário de lembranças que, distorcidas pelo tempo e pela memória, só tornam a experiência de relembrar ainda mais dolorosa. Ninguém quer relembrar. Viver no oceano de armarguras que se formou em torno da sua saudades. Qual o próximo passo? Esquecer.

Simples assim? Claro que não. Jamais será fácil, jamais será trivial. Os dias não são e não serão a mesma coisa sem aquela pessoa. Ela partiu, ela se foi. Você talvez nem tenha tido tempo de dizer o quanto ela era especial. Você a via sempre, e ela sempre esteve do seu lado. Mas você não queria expressar o óbvio dizendo: "você é muito importante para mim". Mas às vezes até o óbvio precisa ser dito para que a certeza de nossas convicções se tornem reais.

Não vale a pena pensar no que poderia ter sido. Não vale a pena pensar no que não foi. O caminho do esquecimento é árduo, longo, penoso e dificilmente satisfatório. Você não vai mais se lembrar que aquela pessoa foi, porque ela era tão importante, e o que te fez esquecê-la. Se você tentar se lembrar correrá dois grandes riscos.

Um dos riscos, o menos perigoso, é você não conseguir se lembrar. Você bloqueou aquelas lembranças de modo que elas jamais voltem a te atormentar. Nunca. Você inventou mentiras, plantou memórias, embaçou sua mente para que aquela pessoa não seja mais especial. Para que você não se lembre dela, jamais.

O outro risco, muito mais perigoso, é você conseguir se lembrar. Lembrar porque aquela pessoa era importante, porque ela faz falta, lembrar em como sua vida poderia estar bem melhor com ela presente, naquele momento que você sabia que só ela iria ter a palavra certa a lhe dizer, ou saberia simplesmente não dizer nada.

Portanto a parte mais importante em esquecer alguém não é simplesmente esquecê-la. Mas não tentar se lembrar. Você pode apagar da memória o que aquela pessoa foi, mas se você não apagar também a saudades esta fará você questionar sua atitude, se perguntar porque você esqueceu. E então você estará, inevitavelmente, fadado a encarar um dos riscos dessa atitude.

Será que esse é o modo saudável de passar por isso? Não é provável. Mas para que se possa passar pelo modo saudável, deve-se antes encarar esses sofrimentos, até que algo muito importante aconteça. O que exatamente? Até que você olhe a sua volta.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Saudade (parte 1 de 4)

Quanto vale um dia? 24 horas? 1440 minutos? 86400 segundos? Não. Um dia vale mais do que o tempo que gastamos nele.

Muitos, quando o dia acaba, sentem a sensação de que aquele dia foi jogado fora. Você não fez nada. Você não correu atrás dos seus sonhos, você não solucionou aquele problema que te incomodava, você não disse pra alguém que sentia muito, que foi culpa sua, não disse que amava alguém. Você não parou e sentiu o perfume das rosas.

E quando isso acontece, sempre temos o amanhã. E então podemos mudar o valor daquele dia muito além de 24 horas. Você pode se desculpar, você pode parar e respirar lentamente e dizer pra alguém que ela é a pessoa mais importante da sua vida, sem exageros. Pode começar a ir nas aulas da academia. É, aquela academia que você estava adiando. Você pode mudar o valor do seu dia.

Mas, o que fazemos quando não podemos evitar? O que fazemos quando algo muda permanentemente o valor de nossos dias? Quando tem alguém muito importante na sua vida e, por algum motivo bom ou ruim, ela vai embora? Talvez a resposta óbvia fosse: superar e seguir em frente. Mas isso não é resposta. Não se pode passar por cima das pessoas. Não se pode simplesmente retirar o quanto aquela pessoa importou pra você, para os seus dias. É impossível.

A parte mais difícil dessa situação é perceber que a importância da pessoa não era somente fazer os seus dias valerem a pena. Mas também perceber que a ausência dela tornam os seus ainda piores do que se você jamais a tivesse conhecido. Não podemos sofrer perdas de algo que nunca tivemos. Isso que sentimos, que nos consome por dentro, que nos faz querer ver a pessoa de novo e de novo, que nos faz imaginar como seria se aquele dia nunca tivesse acabado, isso é a saudade.

Sempre nos perguntamos se a saudade é algo bom ou ruim. Isso é uma questão de perspectiva. Na perspectiva da pessoa que está sentindo saudade, é algo terrível. Você simplesmente não consegue tirar a pessoa da sua cabeça, não consegue não querer ela de volta, não para de pensar nos bons momentos passados juntos e nos muitos que jamais irão se realizar. Na perspectiva da pessoa que se foi, é algo bom. Você sabe que foi querida, que foi desejada, que sua presença era um conforto mesmo que para uma única pessoa.

E agora? Bem, se sentir saudades não vai solucionar o seu problema, se o valor dos seus dias não é mais o mesmo sem aquela pessoa, se você simplesmente não pode parar de se lamentar, esqueça-a.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Medo (filosofia)

As pessoas sentem medo. Isso é inevitável, inescapável, indiscutível. Sentem medo de ir mal na prova, sentem medo de perder o gol na linha, sentem medo de esquecer o nome de um amigo, sentem medo de seus terrores imaginários, sentem medo do escuro, sentem medo de se casar, sentem medo de bater com o carro, sentem medo de morrer. Sentem medo de morrer sozinho. As pessoas sentem medo até mesmo de admitir que estão erradas, de admitir que não são o que dizem ser, entre outras coisas.

Eu passaria a minha vida descrevendo os medos que podemos sentir. E passaria outra vida dizendo para as pessoas que tem medo que combatam seus medos. Não perca meu ponto. Nós devemos SIM combater nossos medos. Mas não estou dizendo que isso é algo fácil, nem algo simples e, às vezes, nem mesmo algo possível. O medo é algo perfeitamente esperável. Perfeitamente aceitável.

Vejo muitas pessoas dizendo: "você deve combater seus medos". "Você deve enfrentá-los, destruí-los, eu tinha meus medos e os superei". Algumas perguntas que caberiam ser feitas: Com base em que você diz que alguém vai superar seus medos só porque você superou? O seu medo é o mesmo tipo de medo daquela pessoa? Mesmo que seja, seria a mesma intensidade? E, acima de tudo, você realmente superou seu medo?

Vencer um medo não é algo fácil. Não é algo banal. É uma tarefa épica. As pessoas hoje colocam como se fosse algo tão simples quanto cruzar a rua, virar a esquina. Um medo é diferente de um receio. Um medo é diferente de um mal pressentimento. Um medo é algo intenso. Um medo é algo que você prefere fugir a ter de encarar, que você sabe que vai te acompanhar boa parte da sua vida (se não ela toda) e que você terá de conviver com ele.

Eu tenho um medo. Acho que os nossos medos nos definem melhor que nossos sonhos e também acho que são pessoais. Não pretendo compartilhá-lo aqui, mas sem sombra de dúvida ele é o tipo de medo que vai me assolar minha vida inteira e, por mais que eu possa esquecê-lo, evitá-lo ou "superá-lo" ele ainda estará lá. Ele não vai me abandonar até o dia que eu morrer e, nesse dia e somente nesse, eu saberei se o venci ou não.

Não quero me estender mais sobre essa problemática. O que eu tenho a dizer é que é normal ter medo. E isso você já sabia. O que você talvez não sabia é que é normal não superar seu medo. Que é normal não salvar a criancinha no prédio em chamas. Que é normal recuar diante de uma decisão muito importante. Nós podemos tentar ser fortes. Nós devemos tentar ser fortes. Mas isso não quer dizer que vamos conseguir. E a falha é uma consequência da chance. É essa falha que o torna humano.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Músicas inesquecíveis (9)

Nesse músicas inesquecíveis, vou mostrar duas versões de uma música muito legal.

Em 1946:



Em 2009:



I've got you under my skin - Cole Porter (cantada por Frank Sinatra no primeiro vídeo e por Michael C. Hall no segundo)

I've got you under my skin.
I've got you deep in the heart of me.
So deep in my heart that you're really a part of me.
I've got you under my skin.
I'd tried so not to give in.
I said to myself: this affair never will go so well.
But why should I try to resist when, baby, I know so well
I've got you under my skin?

I'd sacrifice anything come what might
For the sake of havin' you near
In spite of a warnin' voice that comes in the night
And repeats, repeats in my ear:
Don't you know, little fool, you never can win?
Use your mentality, wake up to reality.
But each time that I do just the thought of you
Makes me stop before I begin
'Cause I've got you under my skin.

I would sacrifice anything come what might
For the sake of havin' you near
In spite of the warning voice that comes in the night
And repeats - how it yells in my ear:
Don't you know, little fool, you never can win?
Why not use your mentality - step up, wake up to reality?
But each time I do just the thought of you
Makes me stop just before I begin
'Cause I've got you under my skin.
Yes, I've got you under my skin.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Tlec Tlec Tlec

(conversa de msn)
- Eaew
- ...
- Fala aew mano, como é que você tá?
- ...
- Cara, sou eu, Marcos. Não lembra de mim? A gente se falou há uma semana!
- *o outro participante parece estar offline*

É pessoal, é assim que conversas de msn se dão hoje em dia. Não, não estou falando daquelas pessoas que estão na sua categoria "amigos do peito" que falam contigo sobre as futilidades do dia-a-dia. Estou falando sobre os outros 97% do seu msn, que estão divididos nas mais variadas categorias, desde "inimigos mortais" até "colegas de birita". Se você tentar conversar com eles, é bem possível que aconteça isso aí.

Okay, primeira pergunta: por que diabos você deixa no msn alguém com quem você não quer falar? Se você não suporta ver alguém da velha guarda puxando assunto com você de repente, o mínimo que você deveria fazer era bloquear a pessoa e pronto. Todos viveriam felizes para sempre. Eu diria que somente UMA vez fiquei chateado porque alguém que não falava comigo há muito tempo veio puxar conversa. E isso porque eu estava num dia ruim.

Segunda pergunta: dá muito trabalho conversar com alguém que você já teve contato? Não, é sério, dá tanto trabalho assim? Você deve se esforçar pra falar com a tia da padoca que faz seu café da manhã todo dia. Ou com os caras da academia que puxam assunto sobre futebol. Ou com os vendedores de lojas que querem te empurrar os produtos. O que custa falar com alguém que, em algum momento da sua vida, você já teve contato? Pelo menos UM assunto vocês vão ter em comum. Pelo menos um. Bem melhor do que tá esperando o ônibus na parada há 30 min e comentar "tá quente né?" pra ver se alguém compra sua conversa.

Terceira pergunta: se você é um motherfucker anti-social, POR QUE CRIOU UM MSN? Acho que não tem pra que explicar o raciocínio dessa última pergunta.

Dizem que a internet aproxima pessoas. Bullshit. Se você ficasse mais tempo sem falar com os desconhecidos que você não fala, vocês teriam MUITO mais assunto quando se reencontrassem (óbvio, considerando que vocês eram pelo menos colegas antes). Duvida? Pense assim: sem o contato via internet, o acúmulo de novidades seria maior, e a sensação de "puxa, há quanto tempo não vejo esse cara" também. Você pode até negar, mas no fundo vai admitir que as pessoas com quem você fala mais no msn são aquelas que você vê todos os dias. Não adianta. A internet não aproximou as pessoas distantes, apenas as tornou ignoráveis.

Portanto, se não for um grande sacrifício, faça um esforço para falar com aquele desconhecido que puxou assunto com você. Mesmo que ele não tenha sido o seu amigo de peito no passado. Quem sabe ele não pode vir a ser agora? Grande sacrifício esse hein?

P.S.: Se você já faz isso, parabéns. Continue assim.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ashes (filosofia)

(A partir de hoje, estou de volta a ativa)

Cinzas. Pode parecer dramático, mas é tudo o que sobra no final. Ao ver uma fogueira queimando, nos deparamos com o esplendor do fogo, consumindo tudo a sua volta com fome destruidora. Não dura muito até que, da chama incandescente e acolhedora, restem apenas cinzas.

É o mesmo para tudo mais na vida. Amores, amizades, momentos de alegria, de ternura. Toda chama queima no calor do momento e das relações humanas, mas o tempo não demora até extirpar-lá, e então tudo vira cinzas.

Talvez devessemos nos perguntar por que precisa ser assim. Por que tudo deve acabar um dia? Ainda metaforizando como o fogo, por que a chama deve se apagar? Olhando melhor para o fogo, é fácil ver que ele já foi usado tanto para o bem quanto para o mal. Sua chama é ao mesmo tempo protetora e destruidora, aquecedora e carbonizadora. Tudo depende da medida com que utilizamos, mas, independente da quantidade usada, ela acabará.

Talvez então, seja assim mesmo. Após a incessante busca pelo equilíbrio, tudo aquilo pelo que lutamos e buscamos, acaba. Simplesmente acaba. Não estou me resumindo as relações humanas leitor, espero que você também compreenda a extensão da metáfora: todo o seu legado aqui na terra, acabará. Todos os feitos que você realizou, possivelmente serão esquecidos. O próprio Universo, em um período incomensurável para nossa mente, virará um grande vazio cósmico.

Talvez você seja religioso leitor, e considere nossa vida aqui uma passagem. Nada disso o impede de ver que o que estou falando aqui é verdade. Sua presença, ao menos nesse mundo, terminará.

Então... O que fazemos agora? Simples: terminamos a metáfora. O fogo queima, se extingue, e vem as cinzas. Mas as cinzas não são o fim. Mesmo a mais carbonizada das cinzas, ainda pode conter uma brasa incandescente que, com o local apropriado, recomeçará a queima da chama novamente.

Espero que, nesse ponto leitor, você tenha compreendido o que eu quero dizer. Tudo vira cinzas. Mas as cinzas não são o fim. Elas são o passo necessário para o recomeço. Elas carregam a brasa que irá queimar novamente. Não tem a fênix, a capacidade de renascer das cinzas, só para começar a crescer de novo? Não tem o homem, a certeza que seu legado irá acabar, mas apenas porque outros irão herdá-lo e carregá-los agora como se fosse seu?

Tudo acaba. Mas isso não quer dizer que de fato acabou. Seus filhos irão carregar consigo a brasa da sua vontade, que nas mãos dele poderá se tornar uma nova chama. O universo acabará, mas, até onde se sabe, ele surgiu do nada. O que o impede de fazê-lo de novo? Não há fins meus amigos. Há apenas novos começos.


"We are ashes, and to ashes we shall return, and from ashes we shall reborn"

domingo, 28 de novembro de 2010

Quando não se quer filosofar

Eu tenho estado ausente. Não é crise de identidade, não é crise de existência nem nada. Simplesmente estou sem tempo. Minha vida anda cheia, complicada, como sempre fica no fim de ano. E quando eu penso que devia me dedicar a meu blog eu estou cansado, desinteressado ou mesmo não estou.

Chega um momento na vida de todo mundo que ele questiona suas atitudes. Algo como "será que o que eu faço é certo?", ou "será que é isso que eu quero fazer?". Idem para mim nesse momento. Eu filosofo tão e somente sobre questões variadas e muitas vezes de pouco interesse as pessoas. Eu mesmo canso de filosofar.

Quando olho esse blog, e vejo o quanto já escrevi, sinto-me em parte feliz. Tem muitos posts que eu não gosto, muitos que eu poderia melhorar e muitos mesmo que eu não concordo (ou não concordo mais). Mas sinto que a satisfação de filosofar, de pensar um assunto pela minha perspectiva, está me cansando. O esforço aparentemente não vale a recompensa. Mas é isso o que sempre dizemos.

Como eu disse no meu primeiro post, isso aqui é uma tentativa. Uma tentativa de mostrar o meu jeito de pensar para as pessoas que querem lê-lo. Toda tentativa tem a chance de falhar. O insucesso é consequência da chance.

Apesar disso tudo, eu ainda não desisti. É óbvio que não. Sou persistente demais para desistir de minhas metas. Eu gosto desse blog, e eu gosto do que faço com ele. Então esse post é só pra avisar que está tudo bem, que eu estou ocupado e é por isso que não estou postando. Tudo vai se normalizar em dezembro (lembrando que janeiro é mês de férias do blog, então não postarei nada).

Abraços a todos que leem isso aqui. I'll be back soon.

domingo, 14 de novembro de 2010

Entre mundos (filosofia)

Aconselho a todos aqueles que nunca tentaram essa experiência, tentarem: deitem em suas camas a tarde quando estiverem com sono, mas se esforcem para não ficarem completamente desmaiados. Comecem a pensar sobre alguma coisa. Qualquer coisa. Se, por algum motivo, vocês deviarem do que estavam pensando pra pensar em outra coisa, ótimo. Significa que está funcionando. É possível que, dentro em breve, você comece a "sonhar acordado".

Não quero dizer sonhar acordado no sentido de ficar devaneando sobre a vida enquanto estamos acordados. Mas justamente ficar em um estágio intermediário, meio dormindo, meio acordado. Entre o mundo do sonho e da realidade. Antes que alguém me acuse, não estou postando isso pelo novo filme do Leonardo de Caprio, e tão pouco pela edição do mês passado da Super interessante. Não vi o filme e não comprei a revista. Estou falando isso porque acontece comigo constantemente, e imagino que possa acontecer com outras pessoas (ou então eu tenho um tumor no cérebro, mas prefiro pensar que vai acontecer com vocês também).

Agora que vocês com certeza leram os dois primeiros parágrafos e ignoraram completamente o que eu pedi pra fazer eu gostaria que vocês tentassem não ignorar essa: tentem imaginar como seria controlar o seu sonho. Que legal, eu poderia sair voando! Se foi isso que você pensou sua imaginação é tão fértil quanto a dos produtores de continuações em Holywood (transformers 2 foi um lixo). Você poderia fazer qualquer coisa e iria sair voando? Tsctsc.

Se não foi isso que você pensou e está se perguntando "tá, e daí? É tudo um sonho mesmo". Bom, a diferença de imaginar e de sonhar, é que no sonho as coisas parecem reais. Sem querer entrar no mérito do que é real, apenas pensem que nos sonhos você "sente" objetos, percebe odores, reproduz emoções. Qual a diferença substancial disso para a realidade? Não é para viver no mundo dos sonhos, mas nada o impede de aproveitá-lo.

Sonhando acordado você consegue, até certo ponto, controlar seu sonho. Ou ao menos controlar aquilo com o que você quer sonhar. Você perceberá aquilo como real, sentirá aquilo como real, e viverá aquilo como real. Tem patas de coelho, orelhas de coelho e dentes de coelho. Será que é um coelho?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

(in)Justo (filosofia)

Em que consiste a justiça? Ignorando definições mais próximas do direito, como "poder judicial", podemos dizer, talvez com um consetimento geral que "justiça" significa igualdade, retidão. Ou, de um outro modo, equivalência. Mas nenhum desses termos parece definir apropriadamente um termo tão banalizado.

"Ele recebeu o que merecia". "Como ele conseguiu isso?". "O mundo não é um lugar justo". Frases comumente citadas, todas se referindo a justiça, ou a algo semelhante. Alguém poderia argumentar que as definições acima se enquadram em tais situações, mas eu discordo. Justiça não é simplesmente igualdade, não é simplesmente equivalência. Justiça é nobreza, não somente equivalência. Talvez pareça a todos que eu incorro a um erro, pois tão difícil quanto definir justiça deve ser definir nobreza, mas definindo "ato nobre" eu me contentaria simplesmente com "a atitude certa a ser tomada quando todas as outras parecem mais fáceis e tentadoras".

Desse modo, ser justo significa fazer o que é certo. É certo matar alguém porque ele matou outra pessoa? É certo justificar um erro comentendo outro equivalente? É certo prender uma pessoa que roubou porque estava passando fome? É certo punir alguém por tentar sobreviver? Questões morais interessantes. A quem cabe a justiça responder. Ser justo não é simplesmente colocar as ações um lado da balança e ver o que pode equilibrar do outro lado. Justiça não é fazer ao outro o que ele fez a alguém. Isso é estupidez. Ser justo é ser capaz de olhar todas as implicâncias da situação e dar a solução mais nobre, mais correta.

O que é então "a solução mais correta"? Aquela que não somente julga alguém pelo que essa pessoa fez, mas o porquê dela ter feito. Aquela solução que busca se ver nos olhos da pessoa, entendê-la, compreendê-la. Não se pode julgar o que não se entende. No entanto, ainda devemos ser capaz de discernir até que ponto devemos fazer isso. Se colocar no lugar de um psicopata iria claramente justificar o seu instinto assassino. Mas uma pessoa doente que pode prejudicar outras não pode ser mantida livre, imune. Cabe a justiça diferenciar as especificidades de cada caso, e concluir o que é certo.

Talvez muitos dos problemas de hoje venham das injustiças que cometemos ao aplicar a justiça como a conhecemos. Se nossas atitudes forem simplesmente atitudes de igualdade para com os atos dos outros, resumimos um ser humano a atos. Esquecemos tanto dos pensamentos quanto do instinto, causa primária de nossos atos. Vamos compreender os outros. Vamos ser nobres. Vamos ser justos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Músicas inesquecíveis (8)

Já que está na hora de músicas em português, que assim seja.



Flor de lis - Djavan

Valei-me Deus, é o fim do nosso amor
Perdoa por favor, eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei

Será, talvez, que minha ilusão
Foi dar meu coração com toda força
Pra essa moça me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz de uma flor de lis
E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria

E o meu jardim da vida ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu