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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Onisciente (filosofia)

Apesar de pensar que tal ativididade é incrivelmente insensata, é impossível recusar-me a disposar dela sempre que me sinto atraído. Imagine-se onisciente.

Você sabe tudo. Absolutamente.

Você sabe o que vai acontecer, o que está acontecendo e o que pode acontecer. Se são adeptos do livre arbítrio como eu, você sabe todas as possibilidades de ocorrência de todos os eventos.

Você é capaz de alterar o futuro a seu bel-prazer, pois sabe as ações certas a empenhar. Mas você sabe mais do que isso. Você sabe o sentido da vida. Sabe o que é o universo. Sabe até o que falar pra pegar aquela gostosa na festa que jamais olharia pra sua cara (e sabe como ela vai ser na cama, se "ela" realmente é "ela" e outras coisas mais...).

Você pode não ser onipotente, mas sabe como se tornar (ou ao menos sabe se é possível ou não se tornar).

Você é possuidor de características paradoxais: você sabe como é não ser onisciente, como é que se sente um ser não onisciente e saberia como se tornar não-onisciente (mais uma vez: se isso fosse possível).

Você é, nas palavras de Raul Seixas que eu invoco mais uma vez: a luz das estrelas, a cor do luar, as coisas da vida, o medo de amar. Você foi, você é, você será.

Resumindo: que saco ser onisciente. Imagino que um ser onisciente não precisaria mais se manter na nossa condição humana. *bocejo*. Muito pouco desafiador.

Ovo ou a galinha?

Afirmar que um dia conheceremos tudo é tolice. Afirmar que não sabemos nada é igualmente tolice. "O que sabemos é o que podemos medir", máxima popularizada por muitos físicos hoje. Eu diria que o que realmente importa não é o que sabemos, mas sim o que queremos saber.

O homem é ambicioso, e embora a ambição não seja o ponto desse post, é impossível não mencioná-la. Na nossa ambição, queremos entender tudo a nossa volta, queremos saber de onde viemos, para onde vamos, o que somos nós. Embora essa pareça uma ladainha repetitiva há muito utilizada, eu não podia deixar de mencioná-la antes de introduzir o assunto desse post. Tais questões acima, jamais serão respondidas, ao menos de forma satisfatória. Não, não é incompetência dos cientistas que se esforçam dia-a-dia para desvendar os mistérios do universo e, de tabela, da nossa origem. Simplesmente as perguntas jamais cessarão.

Até onde pude acompanhar sobre a origem do universo, supõe-se que ele se originiou de uma inflação superluminal (acima da velocidade da luz) do espaço e, devido a uma assimetria que não me recordo ao certo, o tempo começou a rodar após o surgimento da matéria. Não sou a melhor pessoa para tratar sobre o assunto, mas posso dizer que, aparentemente, o big bang não foi o começo. Na verdade o que se sabe antes dele são especulações, mas especulações que fazem sentido (ou seja, explicam o mundo em que vivemos).

Parece loucura talvez falar isso acima, mas também o era dizer que a Terra era redonda há alguns séculos atrás. Que ela não era o centro do universo então... Mas de todo modo, tais explicações não vão nos saciar. Não que faça algum sentido perguntar "o que havia antes do espaço e do tempo?" Se não havia tempo, não havia antes. Se não havia espaço, não havia o que haver. Por acaso isso satisfaz alguém? Certamente que não. Continuaremos elaborando perguntas: como é possível não haver espaço? Será possível construir uma região de "não espaço"? O tempo é capaz de ser interrompido? Se uma época não houve tempo e espaço, o que fez com que eles surgissem? E esse efeito que os fez surgirem, o que o fez surgir? Se não havi tempo, como algo pode "surgir"? De certa forma perguntas intrigantes.

O que eu quero trazer aqui não é um pensamento negativo sobre o conhecimento supremo, que eu acredito nunca será alcançado. O fato de nunca ser alcançado é bom, pois nos instiga a continuar sempre procurando, sempre investigando, sempre querendo saber mais. É difícil abstrair algo como a ausência de tempo e de espaço. Estamos tão conectados a esses conceitos, tão imersos neles, que o simples pensamento sobre isso é difícil, vem um vazio na mente (o que ainda seria errado, pois "vazio" ainda implica espaço - só pode ser chamado de vazio aquilo que pode ser preenchido - e nem isso havia). Mas vamos deixar isso nos desencorajar? Jamais! O intelecto humano é capaz de progredir mesmo que a lógica não se torne tão direta (e ainda farei comentários sobre intelecto e lógicas não diretas em outros posts futuros).

Ao pensarmos na questão clássica sobre "o ovo ou a galinha", sobre quem veio primeiro, voltamos a questão de origem, que está relacionada diretamente com a questão de futuro (precisamos olhar para trás para compreendermos o que vem pela frente). E é isso que fazemos todos os dias, e é isso que alguns cientistas fazem em escala colossal. Vamos parar? Não. Vamos chegar a uma resposta final? Improvável. O que fazer então? Continuar procurando.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Auto-limitante (filosofia)

É engraçado como costumamos nós mesmos nos auto-limitar. E fazemos isso não por intenção, mas por pressão, ou por descuido.

Como nos auto-limitamos? Essa é uma questão divertida, porque a nossa limitação decorre de nossa própria reflexão temerosa sobre aquilo que estamos fazendo. Como assim? É simples. Imagine que você tem que se apresentar para o um público extenso. Naquele momento você está seguro, confiante, sabe o que vai falar e como vai falar. Entretanto, nesse momento de extrema paz interior, lhe ocorre um pensamento demoníaco: "e se eu ficar nervoso?". Pronto. Tudo foi pelos ares.

Se nós não perguntássemos "e se" nessas situações, não incapacitariamos a nós mesmos naquilo que estamos fazendo. Ainda não se convenceu? Então que tal um exemplo ainda mais comum: você está estudando, incrivelmente concentrado e interessado no assunto, até que você pensa: "e se eu não conseguir me concentrar?". Mais uma vez, seu pensamento se volta contra você, e até os veios da madeira da mesa que você estuda passam a se tornar mais interessantes do que o que você estava lendo.

Contra tal limitação, há poucos remédios que eu saiba. Um deles é a indiferença. Ignorando o que você pensou você é plenamente capaz de continuar sem se limitar. Outro é tentar se esquecer. Esse é bem difícil e, particularmente, se torna eficiente quando você turbilhona um monte de ideias ao mesmo tempo para ver se tal pensamento se afunda no limbo da sua mente. Acima de todas essas técnica está o auto-controle, o arqui-inimigo da auto-limitação (acho que os hífens estão de acordo com a nova reforma). Se você for capaz de sobrepujar tal pensamento, você é capaz de impedir sua própria limitação.

Como adquirir o auto-controle? Bem, imagino que confiança seja a chave, assim como força de vontade. Mas eu particularmente penso que há um terceiro fator: o quanto alguma atividade lhe agrada. Se você adora ler livros do... Harry Potter... Mesmo que você pense "e se eu me desconcentrar?" você possivelmente se manterá concentrado devido ao grande prazer que tal atividade confere a você.

Bom, isso é tudo, mas será que vocês se perguntaram se eu me perguntei "e se esse post não ficar legal?". Bom, saciando a curiosidade de vocês: sim, eu me perguntei.

sábado, 2 de outubro de 2010

Teoria da conspiração

"O homem nunca pisou na lua". "Extraterrestres já existem entre nós desde os tempos antigos, na verdade nossa cultura evoluiu graças a eles". "Existe um Evangelho escrito por Jesus, mantido em segredo pela Igreja Católica desde a época dos templários". "Ponce de Leon de fato encontrou a fonte da juventude, e hoje ele ainda vive entre nós". "O triângulo da bermudas é uma das bases de operações dos alienígenas na Terra". "O atentado de 11 de setembro não só era do conhecimento do Governo dos EUA, como foi planejado por ele". "O mesmo Governo dos EUA está preparando abrigos nucleares com toneladas de alimentos, porque eles sabem que o mundo acabará de fato em 2012". A verdade está lá fora. E a verdade é que é preciso ser muito estúpido pra acreditar em alguma coisa dessas.

Como surge uma teoria da conspiração? Ou melhor, por que surge uma teoria da conspiração? Eu diria que há três razões.

A primeira seria a necessidade humana de mitificar as coisas. Em um mundo cada vez mais cético, em que o espaço para mistificações e acontecimentos inexplicáveis vem sendo comprimido ao ponto de não sobrar nada, as pessoas mais inventivas constroem cenários hipotéticos em que tudo isso ainda faz sentido, em que o "inexplicável" ainda existe e não perdeu o seu charme.

A segunda seria simplesmente ignorância. Com o avanço das ciências e a falta de tato da maioria dos cientistas para lhe dar com o público leigo (isso é um fato) e ainda a despreocupação dos mesmos em ver como sua ciência acaba sendo deturpada pelos meios de comunicação e divulgação científica, os mais mal-informados ou charlatões valem-se da ciência como ferramenta prática para construir suas teorias. "O governo dos EUA trabalha na construção de seres humanos geneticamente modificados, mais resistentes, mais fortes, etc.". É realmente muito X-men. A manipulação genética, a nível humano, ainda é uma realidade consideravelmente distante e, mesmo quando possível, é improbabilíssimo que seja não só permitida, como também funcional. Simplesmente não há genes "bons" ou "ruins". De fato existem mutações que vem a causar problemas, mas não existe o "gene da superforça" o "gene do não envelhecimento" o "gene da resistência ao frio e ao calor".

A terceira e talvez mais paradoxal razão é a vontade humana de saber a verdade. Muitos podem dizer que não gostam de ouvir sobre a vida dos outros, não é da conta deles, etc. Mas, salvo raras exceções, a maiorias das pessoas sentem um "gostinho de vitória" quando fica sabendo um segredo que poucas pessoas sabem. Uma "verdade" que ela compartilha com algumas poucas pessoas. Pois bem, eleve essa necessidade a escala global e temos teorias de conspiração, cujo um dos intentos é fazer com que as pessoas que acreditem nela sintam-se "superiores" ou "satisfeitas", pois elas conseguem ver a "verdade" tão óbvia que muitos ignoram. Tais pessoas sentem a necessidade de acreditar que HÁ algo por baixo dos panos, e que só elas conseguiram destrinchar o que era, mas é tão inacreditável que poucos a apoiam. Bom, poucos apoiam não por ser inacreditável, mas por ser estupidez.

Agora sim vejo que seria apropriado se perguntar como surgem teoria das conspirações. Para que o post não fique muito extenso vou tentar ser sucinto nessa parte. Basta misturar alguns elementos: uma verdade que "abalaria o mundo se revelada", a "ciência avançada" que poucos tem conhecimento da existência costuma ser utilizada, elites mundiais (escolha um: maçons, illuminati, o Vaticano, o Governo dos EUA, os templários, os ocultistas etc.) que detem tal verdade e a utilizam para seus fins escusos e, como cereja do bolo, a incerteza sobre os detalhes específicos de qualquer coisa, a única certeza é que existe. Pronto, eis que nasce uma teoria da conspiração. Quanto mais grandiosa uma teoria da conspiração, mais trouxas... quer dizer adeptos ela consegue arrebanhar. Ninguém quer saber sobre "os pães mofados que são vendidos como fresquinhos na padaria do Seu Joaquim". Portanto, outra característica marcante de teorias da conspiração é que elas costumam ser globais, ou mesmo universais (quando envolvem nossos amigos extraterrestres).

Enfim, isso nos faz pensar como, ao mesmo tempo que parecemos avançar a passos largos cientificamente e tecnologicamente, as pessoas se tornam mais suscetíveis ao poder desinformativo que ronda pelo mundo. Tornam-se suscetíveis as suas necessidades de mistificar, de "conspiracionar" as coisas. Para combater tal mal, só há um remédio: o poder da boa informação e do ceticismo. Não estou me referindo ao ceticismo extremo, mas a não ser tão crédulo a ponto de acreditar em histórias absurdas, mesmo que bem contadas. Mas para ser completamente sincero, eu acredito que possa haver uma teoria da conspiração no mundo: a teoria da conspiração que quer fazer com que as pessoas acreditem em teorias da conspiração.