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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ovo ou a galinha?

Afirmar que um dia conheceremos tudo é tolice. Afirmar que não sabemos nada é igualmente tolice. "O que sabemos é o que podemos medir", máxima popularizada por muitos físicos hoje. Eu diria que o que realmente importa não é o que sabemos, mas sim o que queremos saber.

O homem é ambicioso, e embora a ambição não seja o ponto desse post, é impossível não mencioná-la. Na nossa ambição, queremos entender tudo a nossa volta, queremos saber de onde viemos, para onde vamos, o que somos nós. Embora essa pareça uma ladainha repetitiva há muito utilizada, eu não podia deixar de mencioná-la antes de introduzir o assunto desse post. Tais questões acima, jamais serão respondidas, ao menos de forma satisfatória. Não, não é incompetência dos cientistas que se esforçam dia-a-dia para desvendar os mistérios do universo e, de tabela, da nossa origem. Simplesmente as perguntas jamais cessarão.

Até onde pude acompanhar sobre a origem do universo, supõe-se que ele se originiou de uma inflação superluminal (acima da velocidade da luz) do espaço e, devido a uma assimetria que não me recordo ao certo, o tempo começou a rodar após o surgimento da matéria. Não sou a melhor pessoa para tratar sobre o assunto, mas posso dizer que, aparentemente, o big bang não foi o começo. Na verdade o que se sabe antes dele são especulações, mas especulações que fazem sentido (ou seja, explicam o mundo em que vivemos).

Parece loucura talvez falar isso acima, mas também o era dizer que a Terra era redonda há alguns séculos atrás. Que ela não era o centro do universo então... Mas de todo modo, tais explicações não vão nos saciar. Não que faça algum sentido perguntar "o que havia antes do espaço e do tempo?" Se não havia tempo, não havia antes. Se não havia espaço, não havia o que haver. Por acaso isso satisfaz alguém? Certamente que não. Continuaremos elaborando perguntas: como é possível não haver espaço? Será possível construir uma região de "não espaço"? O tempo é capaz de ser interrompido? Se uma época não houve tempo e espaço, o que fez com que eles surgissem? E esse efeito que os fez surgirem, o que o fez surgir? Se não havi tempo, como algo pode "surgir"? De certa forma perguntas intrigantes.

O que eu quero trazer aqui não é um pensamento negativo sobre o conhecimento supremo, que eu acredito nunca será alcançado. O fato de nunca ser alcançado é bom, pois nos instiga a continuar sempre procurando, sempre investigando, sempre querendo saber mais. É difícil abstrair algo como a ausência de tempo e de espaço. Estamos tão conectados a esses conceitos, tão imersos neles, que o simples pensamento sobre isso é difícil, vem um vazio na mente (o que ainda seria errado, pois "vazio" ainda implica espaço - só pode ser chamado de vazio aquilo que pode ser preenchido - e nem isso havia). Mas vamos deixar isso nos desencorajar? Jamais! O intelecto humano é capaz de progredir mesmo que a lógica não se torne tão direta (e ainda farei comentários sobre intelecto e lógicas não diretas em outros posts futuros).

Ao pensarmos na questão clássica sobre "o ovo ou a galinha", sobre quem veio primeiro, voltamos a questão de origem, que está relacionada diretamente com a questão de futuro (precisamos olhar para trás para compreendermos o que vem pela frente). E é isso que fazemos todos os dias, e é isso que alguns cientistas fazem em escala colossal. Vamos parar? Não. Vamos chegar a uma resposta final? Improvável. O que fazer então? Continuar procurando.