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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Auto-limitante (filosofia)

É engraçado como costumamos nós mesmos nos auto-limitar. E fazemos isso não por intenção, mas por pressão, ou por descuido.

Como nos auto-limitamos? Essa é uma questão divertida, porque a nossa limitação decorre de nossa própria reflexão temerosa sobre aquilo que estamos fazendo. Como assim? É simples. Imagine que você tem que se apresentar para o um público extenso. Naquele momento você está seguro, confiante, sabe o que vai falar e como vai falar. Entretanto, nesse momento de extrema paz interior, lhe ocorre um pensamento demoníaco: "e se eu ficar nervoso?". Pronto. Tudo foi pelos ares.

Se nós não perguntássemos "e se" nessas situações, não incapacitariamos a nós mesmos naquilo que estamos fazendo. Ainda não se convenceu? Então que tal um exemplo ainda mais comum: você está estudando, incrivelmente concentrado e interessado no assunto, até que você pensa: "e se eu não conseguir me concentrar?". Mais uma vez, seu pensamento se volta contra você, e até os veios da madeira da mesa que você estuda passam a se tornar mais interessantes do que o que você estava lendo.

Contra tal limitação, há poucos remédios que eu saiba. Um deles é a indiferença. Ignorando o que você pensou você é plenamente capaz de continuar sem se limitar. Outro é tentar se esquecer. Esse é bem difícil e, particularmente, se torna eficiente quando você turbilhona um monte de ideias ao mesmo tempo para ver se tal pensamento se afunda no limbo da sua mente. Acima de todas essas técnica está o auto-controle, o arqui-inimigo da auto-limitação (acho que os hífens estão de acordo com a nova reforma). Se você for capaz de sobrepujar tal pensamento, você é capaz de impedir sua própria limitação.

Como adquirir o auto-controle? Bem, imagino que confiança seja a chave, assim como força de vontade. Mas eu particularmente penso que há um terceiro fator: o quanto alguma atividade lhe agrada. Se você adora ler livros do... Harry Potter... Mesmo que você pense "e se eu me desconcentrar?" você possivelmente se manterá concentrado devido ao grande prazer que tal atividade confere a você.

Bom, isso é tudo, mas será que vocês se perguntaram se eu me perguntei "e se esse post não ficar legal?". Bom, saciando a curiosidade de vocês: sim, eu me perguntei.

sábado, 2 de outubro de 2010

Teoria da conspiração

"O homem nunca pisou na lua". "Extraterrestres já existem entre nós desde os tempos antigos, na verdade nossa cultura evoluiu graças a eles". "Existe um Evangelho escrito por Jesus, mantido em segredo pela Igreja Católica desde a época dos templários". "Ponce de Leon de fato encontrou a fonte da juventude, e hoje ele ainda vive entre nós". "O triângulo da bermudas é uma das bases de operações dos alienígenas na Terra". "O atentado de 11 de setembro não só era do conhecimento do Governo dos EUA, como foi planejado por ele". "O mesmo Governo dos EUA está preparando abrigos nucleares com toneladas de alimentos, porque eles sabem que o mundo acabará de fato em 2012". A verdade está lá fora. E a verdade é que é preciso ser muito estúpido pra acreditar em alguma coisa dessas.

Como surge uma teoria da conspiração? Ou melhor, por que surge uma teoria da conspiração? Eu diria que há três razões.

A primeira seria a necessidade humana de mitificar as coisas. Em um mundo cada vez mais cético, em que o espaço para mistificações e acontecimentos inexplicáveis vem sendo comprimido ao ponto de não sobrar nada, as pessoas mais inventivas constroem cenários hipotéticos em que tudo isso ainda faz sentido, em que o "inexplicável" ainda existe e não perdeu o seu charme.

A segunda seria simplesmente ignorância. Com o avanço das ciências e a falta de tato da maioria dos cientistas para lhe dar com o público leigo (isso é um fato) e ainda a despreocupação dos mesmos em ver como sua ciência acaba sendo deturpada pelos meios de comunicação e divulgação científica, os mais mal-informados ou charlatões valem-se da ciência como ferramenta prática para construir suas teorias. "O governo dos EUA trabalha na construção de seres humanos geneticamente modificados, mais resistentes, mais fortes, etc.". É realmente muito X-men. A manipulação genética, a nível humano, ainda é uma realidade consideravelmente distante e, mesmo quando possível, é improbabilíssimo que seja não só permitida, como também funcional. Simplesmente não há genes "bons" ou "ruins". De fato existem mutações que vem a causar problemas, mas não existe o "gene da superforça" o "gene do não envelhecimento" o "gene da resistência ao frio e ao calor".

A terceira e talvez mais paradoxal razão é a vontade humana de saber a verdade. Muitos podem dizer que não gostam de ouvir sobre a vida dos outros, não é da conta deles, etc. Mas, salvo raras exceções, a maiorias das pessoas sentem um "gostinho de vitória" quando fica sabendo um segredo que poucas pessoas sabem. Uma "verdade" que ela compartilha com algumas poucas pessoas. Pois bem, eleve essa necessidade a escala global e temos teorias de conspiração, cujo um dos intentos é fazer com que as pessoas que acreditem nela sintam-se "superiores" ou "satisfeitas", pois elas conseguem ver a "verdade" tão óbvia que muitos ignoram. Tais pessoas sentem a necessidade de acreditar que HÁ algo por baixo dos panos, e que só elas conseguiram destrinchar o que era, mas é tão inacreditável que poucos a apoiam. Bom, poucos apoiam não por ser inacreditável, mas por ser estupidez.

Agora sim vejo que seria apropriado se perguntar como surgem teoria das conspirações. Para que o post não fique muito extenso vou tentar ser sucinto nessa parte. Basta misturar alguns elementos: uma verdade que "abalaria o mundo se revelada", a "ciência avançada" que poucos tem conhecimento da existência costuma ser utilizada, elites mundiais (escolha um: maçons, illuminati, o Vaticano, o Governo dos EUA, os templários, os ocultistas etc.) que detem tal verdade e a utilizam para seus fins escusos e, como cereja do bolo, a incerteza sobre os detalhes específicos de qualquer coisa, a única certeza é que existe. Pronto, eis que nasce uma teoria da conspiração. Quanto mais grandiosa uma teoria da conspiração, mais trouxas... quer dizer adeptos ela consegue arrebanhar. Ninguém quer saber sobre "os pães mofados que são vendidos como fresquinhos na padaria do Seu Joaquim". Portanto, outra característica marcante de teorias da conspiração é que elas costumam ser globais, ou mesmo universais (quando envolvem nossos amigos extraterrestres).

Enfim, isso nos faz pensar como, ao mesmo tempo que parecemos avançar a passos largos cientificamente e tecnologicamente, as pessoas se tornam mais suscetíveis ao poder desinformativo que ronda pelo mundo. Tornam-se suscetíveis as suas necessidades de mistificar, de "conspiracionar" as coisas. Para combater tal mal, só há um remédio: o poder da boa informação e do ceticismo. Não estou me referindo ao ceticismo extremo, mas a não ser tão crédulo a ponto de acreditar em histórias absurdas, mesmo que bem contadas. Mas para ser completamente sincero, eu acredito que possa haver uma teoria da conspiração no mundo: a teoria da conspiração que quer fazer com que as pessoas acreditem em teorias da conspiração.

domingo, 26 de setembro de 2010

100

Atingindo cem postagens!

Muitos posts de filosofias, pensamentos, imagens, piadas, entre outras coisas... Como eu disse que faria lá no começo do blog. Ainda não completei um ano de blog, mas a centésima postagem também deve ser comemorada, pois não são todos os blogs que ninguém lê que conseguem chegar tão longe!

Pra comemorar data tão importante, quero mostrar aos meus poucos leitores quão importante é meu blog! Se você digitar "filosofias do ricardo" no Google, advinha quem vai estar em primeiro lugar?



Bom, acho que a imagem ficou pequena, mas é o nosso querido e amado blog "Filosofias do Ricardo"! Pode parecer brincadeira, mas até pouco atrás digitando essa sequência de palavras meu blog aparecia em sétimo, creio. Ou seja, assumimos a pole position! (A busca pelas palavras "filosofias" e "Ricardo" isoladas não mostraram resultado pelo menos até a quinta página, que foi até onde tive saco de olhar, mas esse quadro ainda pode mudar).

Aparentemente digitar "rickmaiafilosofa" tudo junto resulta numa expressividade ainda maior, com meu blog aparecendo nas 5 primeiras buscas. De todo modo, quero mostrar com isso que agradeço a todos os que visitam meu blog e, com isso, o fazem galgar posições na longa lista de concorrência da internet, para que eu possa ficar famoso e conquistar o mundo! Opa... Quer dizer... Para que eu possa transmitir minhas ideias a mais pessoas, e fazer com que elas sejam discutidas, refutadas, deliberadas, etc. Qualquer tipo de coisa que gere uma perspectiva dessas. Meu pensamento é: tudo que eu posto não só pode ser questionado, tudo que eu posto DEVE ser questionado. Então todos aqueles que quiserem debater ou mesmo complementar meus pensamento, sintam-se a vontade (nos comentários).

Enfim, é só isso nesse post comemorativo! Espero que eu atinja um dia a marca de 1000 postagens e que, quando esse dia chegar, meu blog ainda continue gerando as mesmas reflexões que eu imagino que ele gere agora.

Abraços e obrigado a todos!

Óbvio

É engraçado quando alguém fala "isso é óbvio". Como será que essa pessoa chegou a tal conclusão? Ou melhor, o que seria o óbvio para tal pessoa, pra que ela possa falar isso? O que é o óbvio?

Acho que, acima de tudo, o óbvio é algo que possamos prever ou deduzir por um raciocínio lógico, simples, eficiente. Entretanto, deve ser de fato um raciocínio extremamente simples, pois nem todos são capazes de perceber detalhes como alguns (talvez por isso digam que "o óbvio para uns não é o óbvio para outros"). Mas, quão simples? Aqui acabamos nos deparando com um problema de delineamento.

Eu posso dizer ser óbvio que alguém apontando uma arma pra cabeça de outra pessoa de maneira agressiva tenha intenções assassinas. Porém, seria de fato óbvio se eu somente visse duas pessoas discutindo imaginar que uma teria intenções assassinas? Talvez algum especialista em linguagem corporal conseguisse perceber, e isso seria óbvio para ele, mas não para nós.

Quando o céu está carregado de nuvens, pensamos de imediato "vai chover". Entretanto há aqueles que veem o céu limpo, claro, e dizem "vai chover". E de fato chove. Aqui podemos ver que o óbvio está relacionado a experiência pessoal, enquanto no exemplo acima a estudo e conhecimento (ou vice-versa). Isto é, perceber o "óbvio" nem sempre é tão óbvio.

Outra tipo de óbvio extremamente divertido é aquele em que alguém, mediante algum raciocínio lógico conclui algo e, devido a fatores como simplicidade ou importância, tal conclusão chega ao conhecimento de todos, que passam a julgar tal raciocínio como "óbvio". Por exemplo, é óbvio que as coisas caem para baixo por causa da gravidade, e é ainda mais óbvio que isso se deve a massa descomunal da terra em relação ao corpos que nela se encontram. Será mesmo? Antes de que isso tenha sido proposto, ninguém havia imaginado. Isto é, o "óbvio" não era "óbvio".

Imagino que enquanto alguém não for capaz de dizer qual é o raciocínio mínimo necessário para que algo possa ser considerado óbvio, ou ao menos que seja capaz de contextualizar a obviedade (por exemplo, para um grupo de bioquímicos a via glicolítica deve ser algo óbvio, mas isso é um caso de óbvio contextualizado), é no mínimo arriscado dizer que "tal situação é óbvia".

Agora uma pergunta a vocês: será que isso tudo que eu falei acima, já era óbvio?

Raiden


Sempre prestativo.